O mercado de commodities testemunhou um evento histórico nesta segunda-feira, 26 de janeiro de 2026. Pela primeira vez na história, o preço do ouro rompeu a barreira psicológica dos US$ 5.000 por onça-troy, consolidando uma alta de aproximadamente 17% apenas neste primeiro mês do ano. O movimento reflete uma “tempestade perfeita” que combina instabilidade geopolítica, o enfraquecimento do dólar e uma corrida institucional liderada por bancos centrais.
A fórmula da valorização: Risco, dólar e demanda oficial
O rali do metal precioso — que já havia saltado mais de 60% em 2025 — ganhou tração renovada nas últimas semanas. Segundo analistas do mercado financeiro, três pilares sustentam esse novo patamar de preços:
- Incerteza Geopolítica: O cenário global permanece instável, com desdobramentos críticos em conflitos na Europa e no Oriente Médio, além de novas tensões comerciais. A política externa dos EUA, sob a administração de Donald Trump, tem gerado “chicotadas” de incerteza nos mercados, especialmente com ameaças recentes de tarifas de 100% sobre parceiros comerciais, como o Canadá, caso avancem em acordos com a China.
- Dólar Sob Pressão: O enfraquecimento da moeda americana no exterior torna o ouro mais barato para detentores de outras divisas, estimulando a compra. Além disso, investidores estão reduzindo posições em dólar diante da expectativa de novos cortes de juros pelo Federal Reserve (Fed) ainda em 2026.
- Bancos Centrais em Rota de Fuga: Instituições monetárias ao redor do mundo, lideradas por mercados emergentes, têm diversificado suas reservas para longe do dólar e de títulos soberanos. A busca por ativos reais é vista como uma proteção contra sanções e instabilidade do sistema financeiro tradicional.
Projeções: Ouro a US$ 6.000 é o novo alvo
Com a quebra do recorde de US$ 5.000, as instituições financeiras revisaram suas metas para cima. O Bank of America (BofA) destaca-se com uma das projeções mais agressivas, estimando que o metal possa atingir US$ 6.000 já na primavera de 2026. Michael Hartnett, estrategista do banco, aponta que ciclos históricos de alta sugerem que o fôlego atual está longe do fim.
O Goldman Sachs também elevou sua previsão para dezembro de 2026, passando de US$ 4.900 para US$ 5.400, citando a demanda persistente do setor privado e a necessidade de “hedging” (proteção) em um ano de volatilidade política e eleições de meio de mandato nos EUA.
Prata e outros metais acompanham o rali
O entusiasmo não se limita ao ouro. A prata também quebrou recordes, superando a marca de US$ 100 por onça-troy e chegando a ser negociada a US$ 107,90 nesta segunda-feira. Platina e lítio também registraram ganhos expressivos, sinalizando uma migração em massa de capital para ativos tangíveis enquanto os mercados de ações enfrentam receios de sobrevalorização.
Para o investidor, a mensagem dos bancos é clara: enquanto a única certeza for a incerteza, o “porto seguro” dourado continuará a brilhar com intensidade recorde.




