A cidade de Minneapolis, nos Estados Unidos, vive uma escalada de tensão após a morte de Alex Pretti, um enfermeiro de cuidados intensivos de 37 anos, baleado por agentes federais durante um protesto no último sábado (24). O incidente ocorre apenas três semanas após a morte de Renee Good, outra cidadã americana, também pelas mãos de agentes do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE), transformando a região em um epicentro de críticas à gestão de segurança e imigração do governo Donald Trump.
Quem era Alex Pretti
Descrito por colegas e familiares como um homem “calmo, gentil e dedicado”, Pretti trabalhava na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital de Assuntos de Veteranos (VA) em Minneapolis, cuidando de ex-militares em estado crítico. Amante de mountain bike e da natureza, ele não tinha antecedentes criminais.
Segundo seu pai, Michael Pretti, o enfermeiro sentia que protestar era uma forma de expressar sua compaixão pelos outros. Ele havia se juntado às manifestações motivado pelo choque com a morte de Renee Good, ocorrida em 7 de janeiro.
Versões conflitantes e vídeos
A morte de Pretti gerou uma imediata batalha de narrativas:
- Versão Oficial: O Departamento de Segurança Interna (DHS) afirma que Pretti se aproximou de agentes da Patrulha de Fronteira portando uma pistola semiautomática de 9 mm e que os oficiais agiram em legítima defesa ao serem ameaçados.
- Contraponto: Testemunhas e vídeos analisados por veículos como o The New York Times e Reuters mostram uma cena diferente. As imagens sugerem que Pretti estava filmando a ação com o celular e tentava proteger uma mulher que recebia spray de pimenta quando foi derrubado por sete agentes. Relatos indicam que ele foi baleado à queima-roupa — recebendo cerca de dez disparos — mesmo após estar imobilizado no chão.
O chefe de polícia de Minneapolis, Brian O’Hara, confirmou que Pretti tinha porte de arma legal (permitido no estado de Minnesota), mas vídeos mostram agentes revistando seu corpo logo após os tiros e perguntando desesperadamente: “Onde está a p***a da arma?”.
O estopim: O caso Renee Good
A revolta que levou Pretti às ruas começou com a morte de Renee Nicole Good, de 37 anos, uma poeta e mãe de três filhos. Em 7 de janeiro, ela foi morta pelo agente Jonathan Ross enquanto estava dentro de seu carro. O governo alegou que ela tentou atropelar os agentes, chamando-a de “terrorista doméstica”. No entanto, vídeos de transeuntes mostraram que Good estava manobrando para longe dos oficiais quando foi atingida por três tiros.
Reação política e social
O governador de Minnesota, Tim Walz, e o prefeito Jacob Frey exigiram a retirada imediata das forças federais da cidade, classificando a operação como “doentia” e “desastrosa”. A congressista Ilhan Omar chamou a morte de Pretti de “execução”.
Enquanto vigílias e novos protestos se espalham por Minneapolis sob temperaturas congelantes, a Casa Branca sustenta o apoio aos agentes, alegando que estão combatendo o “caos da esquerda radical”. O caso agora aguarda investigações que, segundo autoridades locais, estão sendo dificultadas pela falta de cooperação das agências federais com a polícia civil.




