O cenário político em Portugal vive um momento histórico e de profunda divisão. Pela primeira vez em quatro décadas, a sucessão presidencial no país será decidida em uma segunda volta (segundo turno), marcada para o próximo dia 8 de fevereiro. A disputa coloca frente a frente dois modelos antagônicos de país: o socialista António José Seguro e o líder da ultradireita, André Ventura.
De acordo com as sondagens mais recentes divulgadas nesta segunda-feira (26), o clima em Lisboa é de “favas contadas”. Os levantamentos indicam que o candidato socialista, António José Seguro, conseguiu consolidar uma vantagem confortável após a surpresa da primeira volta, quando superou as expectativas e desbancou o favoritismo inicial de Ventura.
A virada socialista e o crescimento do chega
No primeiro turno, realizado em 18 de janeiro, Seguro obteve aproximadamente 31% dos votos válidos, enquanto André Ventura, fundador do partido Chega, ficou com cerca de 23%. O resultado foi lido como uma “vitória da moderação” pelas frentes de esquerda, já que as pesquisas prévias apontavam Ventura na liderança, impulsionado pela onda conservadora que deu ao Chega o status de principal força de oposição no Parlamento em 2025.
André Ventura baseou sua campanha em uma retórica agressiva contra a imigração, críticas ao sistema fiscal e o que chama de “corrupção das elites”. Por outro lado, Seguro, que retornou à linha de frente da política após anos de afastamento, aposta na defesa das instituições democráticas e no diálogo para travar o avanço do extremismo.
O que está em jogo?
Embora o cargo de Presidente da República em Portugal seja majoritariamente cerimonial, ele detém o “poder moderador”: a capacidade de dissolver o Parlamento e convocar eleições antecipadas — uma ferramenta crucial em um governo de minoria liderado pelo atual primeiro-ministro Luís Montenegro (centro-direita).
As últimas atualizações indicam que:
- Apoios decisivos: Candidatos derrotados da esquerda e do centro já sinalizaram apoio a Seguro para criar um “cordão sanitário” contra a extrema-direita.
- Abstenção: O maior desafio para os socialistas é garantir que o eleitorado compareça às urnas em fevereiro, evitando que a mobilização da base de Ventura reverta o cenário.
- Contexto Europeu: A eleição é acompanhada de perto por Bruxelas, que vê em Portugal um termômetro para a força da ultradireita no continente em 2026.
Se as projeções se confirmarem, Portugal manterá a tradição de alternância entre os blocos centrais, mas agora com uma direita radical consolidada como a segunda força política mais relevante da nação, mudando permanentemente a dinâmica parlamentar do país.




