O anúncio foi feito pelo primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, acompanhado pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e pelo presidente do Conselho Europeu, António Costa. O tratado, apelidado por negociadores de “a mãe de todos os acordos”, visa reduzir drasticamente a dependência econômica de ambos os blocos em relação à China e responder à instabilidade das políticas tarifárias dos Estados Unidos.
Os principais pontos do acordo
O tratado é considerado um dos mais ambiciosos já assinados pela Índia. Entre os avanços confirmados pelas últimas rodadas de negociação, destacam-se:
- Abertura do Mercado Automotivo: A Índia concordou em reduzir as tarifas de importação de carros europeus de até 110% para 40%. A medida é vista como uma vitória crucial para montadoras como Volkswagen, Skoda e Renault.
- Vinhos e Bebidas: Tarifas sobre vinhos europeus, que chegavam a 150%, sofrerão cortes significativos, facilitando a entrada de produtos de alta qualidade no crescente mercado consumidor indiano.
- Exportações Indianas: Setores de mão de obra intensiva, como têxteis, couro, calçados, joias e produtos químicos, terão acesso com tarifa zero ao mercado comum europeu, permitindo que a Índia compita em pé de igualdade com países como Vietnã e Bangladesh.
- Segurança e Defesa: Além do comércio, os líderes assinaram um pacto de cooperação em segurança e defesa, o terceiro da UE na Ásia, reforçando os laços estratégicos na região do Indo-Pacífico.
O que ficou de fora: a sensibilidade do campo
Apesar do otimismo, o setor agrícola e de laticínios foi mantido fora da maior parte do acordo para proteger os pequenos produtores indianos — que representam quase 45% da força de trabalho do país. Da mesma forma, questões ligadas a indicações geográficas (que protegem nomes de produtos tradicionais europeus) ainda terão discussões complementares em fóruns separados.
Efeitos globais e o interesse do Brasil
O desfecho deste acordo pressiona outras economias. No Brasil, o governo acompanha de perto a movimentação. O presidente Lula tem viagem marcada para a Índia em fevereiro de 2026, com o objetivo de discutir o aprofundamento do acordo Índia-Mercosul.
Analistas apontam que, enquanto a Índia se abre para a tecnologia e os automóveis europeus, abre-se também um vácuo em setores de commodities onde o Brasil busca expansão, como soja, milho e frango. A consolidação do bloco Índia-UE redesenha as rotas de exportação globais, especialmente em um cenário onde a União Europeia busca fontes de energia e insumos industriais fora da zona de influência russa.
Próximos passos: O texto passará agora por uma revisão jurídica (“legal scrubbing”) que deve durar cerca de seis meses. A expectativa é que o acordo seja formalmente assinado e ratificado pelo Parlamento Europeu para entrar em vigor plenamente até o início de 2027.




