O rigor das normas de apresentação pessoal nas forças de segurança voltou ao centro do debate nacional nesta semana. O segundo sargento Samuel de Araújo Lima, integrante da Polícia Militar de Pernambuco (PMPE) há 35 anos, foi punido com três dias de detenção administrativa. O motivo: o tamanho de seu bigode, que, segundo a corporação, estaria em desacordo com os regulamentos internos vigentes.
O caso, que ganhou repercussão após a publicação no boletim interno da corporação em janeiro de 2026, revela o endurecimento das fiscalizações estéticas nas forças militares estaduais e federais.
Os Detalhes da Punição
A infração teria sido identificada durante uma fiscalização de rotina em um serviço extra. De acordo com a notificação:
- A Regra: O bigode deve ser discreto, aparado e não pode ultrapassar a linha do lábio superior ou a comissura labial (os cantos da boca).
- A Defesa: O advogado do sargento, Tiago Régis, argumenta que o militar utiliza o mesmo estilo de bigode há décadas e que ele nunca havia sido advertido anteriormente. Inclusive, o sargento teria sido elogiado pelo comando recentemente por sua atuação operacional.
- Status Atual: Lima recorreu da decisão. Enquanto o recurso de reconsideração é analisado, ele permanece em liberdade e exercendo suas funções na Companhia Independente de Apoio ao Turista (CIATur), mas precisou aparar os pelos faciais para evitar novas sanções.
Contexto: O Fim da Barba e o Rigor no Bigode
O episódio ocorre em um momento de transição normativa nas Forças Armadas e polícias militares. Em agosto de 2025, a Marinha do Brasil, por exemplo, atualizou suas diretrizes de aparência, proibindo definitivamente o uso de barbas e cavanhaques (salvo por questões médicas comprovadas).
No caso do bigode, a permissão é restrita apenas a oficiais, suboficiais e sargentos, desde que mantido rigorosamente simétrico. O caso de Samuel Lima acende um alerta sobre como a modernização de regulamentos (muitos alterados a partir de 2020) tem impactado veteranos que mantinham padrões visuais de épocas anteriores.
“É uma situação que gera estranheza pela desproporcionalidade, considerando uma ficha limpa de mais de três décadas de serviço”, afirmou a defesa do sargento Samuel Lima.




