VALE SUPERA RIO TINTO e retoma liderança global na produção de minério de ferro

Mineradora brasileira encerra 2025 com 336 milhões de toneladas produzidas, superando rival australiana pela primeira vez desde 2018; projeções para 2026 indicam novo salto operacional.

​A Vale (VALE3) consolidou nesta semana sua volta ao topo do setor mineral global. Segundo dados operacionais divulgados na última terça-feira (27/01/2026), a companhia brasileira encerrou o ano de 2025 com uma produção total de 336,1 milhões de toneladas de minério de ferro. O volume representa uma alta de 2,6% em relação ao ano anterior e, mais importante, supera as 327,3 milhões de toneladas reportadas pela anglo-australiana Rio Tinto em suas operações em Pilbara.

​Esta é a primeira vez em sete anos que a Vale ocupa a posição de maior produtora individual do insumo no mundo, posto que havia perdido em 2018, pouco antes do desastre de Brumadinho, que forçou a interrupção de diversas minas e uma revisão profunda em seus protocolos de segurança e produção.

​Desempenho no 4º Trimestre e Destaques

​O fechamento do ano foi impulsionado por um quarto trimestre robusto, onde a Vale produziu 90,4 milhões de toneladas, uma alta de 6% na comparação anual. O desempenho foi beneficiado pelo aumento da produtividade no complexo de S11D, no Pará, e pela recuperação de ativos no sistema Sudeste.

​Além do minério de ferro, a Vale registrou avanços em outros metais estratégicos:

  • Cobre: Alta de 9,8% em 2025, atingindo 382,4 mil toneladas.
  • Níquel: Crescimento de 10,8% no ano, totalizando 177,2 mil toneladas.

​Projeções para 2026: O Caminho para 345 Milhões

​A liderança retomada não é vista pela diretoria, liderada pelo CEO Gustavo Pimenta, como um evento isolado, mas como parte de um plano de “fôlego extra”. Para 2026, a Vale já trabalha com um guidance (projeção) ainda mais ambicioso: a expectativa é produzir entre 335 milhões e 345 milhões de toneladas.

​Se atingir o teto dessa meta, a mineradora se aproximará ainda mais dos níveis pré-2019, focando na oferta de produtos de alta qualidade (como pelotas e briquetes), que garantem prêmios maiores no mercado internacional devido à menor pegada de carbono no processo de siderurgia.

​Desafios no Horizonte

​Apesar do otimismo operacional, o clima na sede da mineradora no Rio de Janeiro é de cautela em outras frentes. Recentemente, a empresa enfrentou incidentes operacionais menores, como vazamentos de sedimentos nas minas de Fábrica e Viga, em Minas Gerais, o que mantém o mercado atento à segurança das barragens.

​Além disso, a Vale e sua sócia BHP seguem sob pressão jurídica e financeira devido aos processos de reparação dos desastres de Mariana (2015) e Brumadinho (2019), com recentes decisões judiciais no Reino Unido e no Brasil elevando os valores previstos para indenizações coletivas.

​Para os analistas, a “nova Vale” que surge em 2026 é uma empresa operacionalmente superior e mais diversificada, mas que ainda precisa equilibrar a eficiência das máquinas com a resolução definitiva de seus passivos históricos para recuperar seu valor de mercado perante gigantes como a BHP.

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