A dinâmica do crime ambiental e financeiro no Brasil acaba de ganhar um novo e preocupante capítulo. Investigações recentes da Polícia Federal e órgãos de controle apontam que a rota do ouro clandestino inverteu seu sentido tradicional: em vez de apenas sair da Amazônia para os grandes centros, o metal agora está sendo transportado de outras regiões do país rumo ao Norte, cruzando fronteiras com a Venezuela e a Guiana.
A nova logística do crime
Historicamente, o ouro extraído ilegalmente em terras indígenas e unidades de conservação seguia para as metrópoles do Sudeste para ser “esquentado” em Distribuidoras de Títulos e Valores Mobiliários (DTVMs). Contudo, o cerco da fiscalização e novas exigências de rastreabilidade (como a Nota Fiscal Eletrônica do Ouro) forçaram uma mudança de tática.
- O “Caminho Inverso”: O ouro clandestino, muitas vezes já processado ou oriundo de estoques antigos e garimpos ativos, está sendo enviado para estados como Roraima e Amazonas.
- Transbordamento: De lá, o metal atravessa fronteiras terrestres e aéreas para países vizinhos, onde a fiscalização é mais flexível ou o controle estatal é fragilizado, facilitando a lavagem do minério para o mercado internacional.
O fator econômico: O ouro nas alturas
Com a cotação do metal atingindo recordes históricos no mercado global em 2025 e início de 2026, o incentivo para o garimpo ilegal tornou-se irresistível para organizações criminosas.
”A valorização do ouro funciona como um combustível para a destruição. Quanto maior o preço por grama, maior o investimento das facções em logística pesada e tecnologia para extração e ocultação”, alerta um especialista em crimes ambientais consultado pela reportagem.
Principais impactos e desafios
A mudança de rota traz desafios complexos para a segurança pública:
Medidas de contenção
O governo brasileiro tem intensificado o uso de tecnologia de satélite e inteligência financeira para rastrear movimentações atípicas de valores que não coincidem com a produção declarada de minas autorizadas. No entanto, a porosidade da fronteira amazônica continua sendo o principal gargalo para conter o escoamento do metal precioso.




