A safra de soja 2025/26 no Brasil enfrenta um desafio precoce e agressivo: a alta pressão do complexo de percevejos, liderada pelo percevejo-marrom (Euschistus heros). Estudos recentes e especialistas do setor alertam que a praga, favorecida por um clima irregular com altas temperaturas e chuvas mal distribuídas, pode comprometer até 30% da produtividade das lavouras se não houver um manejo rigoroso.
Para o produtor, o impacto é direto no bolso. Estima-se que a presença de apenas um percevejo por metro linear possa retirar até 75 kg de soja por hectare. Em termos nacionais, o prejuízo potencial é alarmante. “Estamos falando em mais de 50 milhões de toneladas de soja que sofrem com a presença desse inimigo”, explica Luiz Henrique Marcandalli, head de marketing na Rainbow Agro.
O Inimigo Silencioso e o Clima
Diferente de outras pragas, o percevejo-marrom ataca diretamente o produto final: a vagem e o grão. Ao sugar os nutrientes, ele causa o abortamento de vagens, grãos chochos, manchados e a redução do teor de óleo.
Na safra atual (2026), o cenário se agravou devido ao fenômeno La Niña (mesmo que em intensidade fraca), que gerou janelas de calor intenso no Cerrado e no Sul. Esse ambiente acelerou o ciclo biológico do inseto, fazendo com que ele surgisse nas áreas de plantio muito antes do período crítico tradicional (fase reprodutiva).
Estratégias de Defesa: Tecnologia e MIP
Para enfrentar esse cenário, a adoção do Manejo Integrado de Pragas (MIP) deixou de ser uma opção para se tornar uma necessidade de sobrevivência econômica. Dados da Embrapa e de órgãos regionais como a Fundação MS e a Revista Cultivar indicam que o uso de estratégias preventivas e tecnologias de ponta traz resultados expressivos:
- Redução de Insumos: No Paraná, a aplicação correta do MIP conseguiu reduzir em até 52,8% o número de pulverizações de inseticidas ao longo das últimas safras.
- Novas Formulações: Empresas como a Rainbow Agro e a Ourofino têm investido em soluções adaptadas ao clima tropical, com maior efeito residual e de choque para evitar que as pragas criem resistência.
- Controle Biológico e Digital: O uso de drones para liberação de vespas predadoras (como a Telenomus podisii) e o monitoramento via algoritmos preditivos ganharam força em 2026, permitindo intervenções cirúrgicas nas áreas de maior foco.
“A solução tecnológica proporciona proteção eficaz, minimizando perdas qualitativas que geram penalizações severas na hora da comercialização”, reforça Marcandalli.
Tendências para 2026
O setor caminha para uma “sojicultura 4.0”, onde a decisão de aplicar um defensivo é baseada em dados reais de monitoramento (pano de batida e armadilhas) e não mais em calendários fixos. Com margens de lucro mais ajustadas neste ano, o foco do agricultor migrou da produção máxima para a rentabilidade máxima, onde cada saca preservada do ataque do percevejo conta para o fechamento positivo das contas.




