O Brasil consolidou sua posição como o quarto maior produtor mundial de carne suína, com uma oferta que gira em torno de 5,8 milhões de toneladas anuais, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). No entanto, para que o setor continue batendo recordes de exportação e eficiência, um detalhe muitas vezes negligenciado na porteira para dentro tem acendido o alerta de especialistas: a nutrição micromineral.
Muitos produtores enfrentam problemas como baixo ganho de peso, fragilidade óssea e falhas reprodutivas sem perceber que a causa raiz pode ser a carência de elementos como zinco, cobre, manganês e selênio.
O papel vital dos minerais no metabolismo
A nutrição mineral não é apenas uma questão de “complemento”, mas a base de toda a engrenagem metabólica do animal. Quando há deficiência, os sinais aparecem rapidamente na linha de produção:
- Imunidade em baixa: Minerais como o selênio e o zinco são cruciais para a síntese de enzimas antioxidantes. Sem eles, o animal fica exposto a infecções e responde mal a vacinas.
- Problemas Locomotores: A fragilidade óssea é uma das principais causas de descarte de matrizes. A suplementação correta de cálcio, fósforo e manganês garante a integridade do esqueleto.
- Eficiência Reprodutiva: Deficiências nutricionais retardam o cio das fêmeas e diminuem a viabilidade espermática dos machos, impactando diretamente o número de leitões por fêmea/ano.
Tendências e Inovações: O avanço dos Minerais Orgânicos
As novidades mais recentes no setor, discutidas em fóruns técnicos em 2025 e início de 2026, apontam para a substituição de fontes inorgânicas por minerais orgânicos (quelatados).
Diferente dos sais minerais comuns, os minerais orgânicos são ligados a aminoácidos, o que facilita a absorção pelo trato intestinal do suíno. Isso resulta em:
- Menor excreção no ambiente: Maior absorção significa menos resíduos de metais pesados nos dejetos, atendendo às novas normas de sustentabilidade (ESG).
- Melhor desempenho em situações de estresse: Animais suplementados com minerais de alta biodisponibilidade recuperam-se mais rápido de oscilações térmicas e manejos bruscos.
“A nutrição de precisão não foca mais apenas na quantidade de ração, mas na biodisponibilidade dos nutrientes. Um animal que absorve melhor o que come entrega mais carne com menos custo,” afirmam especialistas do setor.
Impacto Econômico
Com o preço dos insumos (milho e soja) apresentando volatilidade, a conversão alimentar torna-se o principal indicador de lucro. Um suíno que não engorda devido à carência mineral consome o lucro do produtor em manutenção básica, sem gerar o retorno esperado em biomassa. A suplementação mineral estratégica deixa de ser um custo para se tornar um seguro de produtividade.




