Ministério Público denuncia Rogério Andrade e prende policiais militares por segurança armada do jogo do bicho no Rio

Em um novo desdobramento no combate à cúpula do jogo do bicho, o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) deflagrou, na manhã desta quinta-feira (29 de janeiro de 2026), a segunda fase da Operação Pretorianos. A ação resultou na denúncia do contraventor Rogério Andrade e na prisão de dois policiais militares aposentados, acusados de integrar uma rede de guarda armada e monitoramento a serviço da organização criminosa.

​Os policiais presos foram identificados como Carlos André Carneiro de Souza (conhecido como Carneiro) e Marcos Antonio de Oliveira Machado (o Machado). Segundo as investigações do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), os agentes prestavam serviços de segurança pessoal direta a Rogério Andrade e seus familiares, além de atuarem na escolta de valores oriundos da exploração de jogos de azar.

​A estrutura da “Guarda Pretoriana”

​O nome da operação é uma referência à Guarda Pretoriana da Roma Antiga, unidade de elite dedicada à proteção dos imperadores. No contexto carioca, o Gaeco aponta que Rogério Andrade mantinha uma estrutura similar, utilizando agentes de segurança pública — ativos e inativos — para blindar seu “império” e monitorar autoridades.

​A denúncia detalha que o grupo também subornava policiais da ativa para obter informações privilegiadas sobre operações policiais, permitindo que a organização antecipasse batidas e protegesse seus pontos de bicho e máquinas de caça-níqueis.

​Contexto e isolamento de Rogério Andrade

​Rogério Andrade, sobrinho do lendário Castor de Andrade, já se encontra custodiado em um presídio federal de segurança máxima em Campo Grande (MS). Ele foi transferido para a unidade após ser acusado de ser o mandante do assassinato de seu rival, Fernando Iggnácio, em 2020.

​Mesmo encarcerado, as autoridades acreditam que Andrade ainda exercia influência sobre a estrutura logística do grupo. Este novo mandado de prisão e a denúncia por organização criminosa visam asfixiar a rede de apoio que sustenta as atividades ilícitas e a corrupção de agentes estatais.

​Últimas atualizações

  • Novas Provas: A investigação avançou com a análise de dados telemáticos e documentos apreendidos na primeira fase da operação, ocorrida em 2024, que revelaram a rotina de pagamentos e a escala de serviço dos seguranças.
  • Corregedoria: A Corregedoria da Polícia Militar acompanhou o cumprimento dos mandados. Os PMs aposentados foram encaminhados para unidades prisionais da corporação.
  • Defesa: Até o fechamento desta edição, a defesa de Rogério Andrade e dos policiais citados não havia emitido um posicionamento oficial sobre as novas acusações.

​A operação reforça o cerco jurídico contra os principais nomes da contravenção fluminense, que enfrentam uma ofensiva sem precedentes coordenada entre o MPRJ, a Polícia Civil e a Polícia Federal.

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