ENGENHEIRO BELTRÃO – O clima político e social em Engenheiro Beltrão atingiu um ponto de ebulição. A gestão do prefeito Júnior Garbim enfrenta uma onda de questionamentos por parte da população, que exige esclarecimentos detalhados sobre a saúde financeira do município e a aplicação de recursos extraordinários que, somados, ultrapassam a marca dos R$ 16 milhões.
O X da questão: Os números que não batem
O foco da indignação popular reside em dois pontos centrais que têm gerado debates acalorados nas redes sociais e nas esquinas da cidade:
- O Endividamento: Dados oficiais apontam um crescimento na dívida pública municipal na ordem de R$ 12 milhões durante a atual administração.
- O “Recurso da Chapadão”: Cerca de R$ 4 milhões arrecadados via ITBI (Imposto sobre Transmissão de Bens Imóveis) referentes à Fazenda Chapadão.
A pergunta que ecoa entre os contribuintes é direta: onde esse dinheiro foi aplicado? Enquanto a prefeitura mantém uma linha de comunicação focada em publicidade institucional, a oposição e grupos da sociedade civil apontam a ausência de obras estruturantes de grande porte, como novos hospitais ou reformas profundas na rede escolar, que justifiquem tal volume financeiro.
A polêmica da UPA da Vila Operária
Um dos símbolos mais críticos dessa gestão, segundo os moradores, é a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da Vila Operária. Inaugurada com pompa e circunstância às vésperas do período eleitoral de 2024, a unidade tornou-se o centro das reclamações pós-pleito.
“Inauguraram para tirar foto, mas na hora que o filho adoece, a porta está fechada ou não tem médico. Foi pura maquiagem eleitoral”, desabafa um morador que preferiu não se identificar.
Relatos indicam que a unidade não opera em sua capacidade plena, forçando a população a enfrentar as antigas filas e a precariedade de exames represados, contrastando com o cenário de “cidade modelo” apresentado nas redes sociais da prefeitura.
O que dizem os indicadores e o contexto atual
Recentemente, a gestão Garbim tem tentado contra-atacar as críticas ressaltando investimentos em pavimentação e eventos culturais. No entanto, para o cidadão beltrãoense, o asfalto não apaga a dúvida sobre o rombo milionário.
A legislação brasileira, através da Lei de Acesso à Informação (LAI) e da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), obriga a transparência total desses dados. O silêncio ou a resposta evasiva do Executivo pode, inclusive, dar margem a investigações por parte do Ministério Público e da Câmara de Vereadores.
Tabela: O montante questionado pela população
| Origem do Recurso | Valor Estimado | Status da Resposta |
| Aumento da Dívida Pública | R$ 12.000.000,00 | Sem detalhamento de aplicação |
| ITBI Fazenda Chapadão | R$ 4.000.000,00 | Destinação incerta |
| Total Sob Questionamento | R$ 16.000.000,00 | Aguardando prestação de contas |
A cidade de Engenheiro Beltrão vive um momento de despertar cívico. O recado das ruas é claro: o dinheiro público pertence ao povo e não pode ser utilizado como peça de marketing. A gestão Garbim agora corre contra o tempo para apresentar notas fiscais, cronogramas de obras e balancetes que convençam o eleitor de que a transparência não é apenas uma promessa de campanha, mas uma prática



