Adolescentes suspeitos de matar cão Orelha desembarcam no Brasil e têm celulares apreendidos pela Polícia

Os dois adolescentes suspeitos de envolvimento no espancamento e morte do cão comunitário Orelha desembarcaram no Brasil na noite desta quinta-feira (30), após uma viagem aos Estados Unidos. A chegada dos jovens foi acompanhada por uma operação da Polícia Civil de Santa Catarina, que cumpriu mandados de busca e apreensão e recolheu os aparelhos celulares dos investigados para perícia.

​De acordo com as investigações, os adolescentes estavam em uma viagem pré-programada à Disney quando o caso ganhou repercussão nacional. Eles são apontados, junto a outros dois menores já identificados, como autores das agressões brutais que levaram à morte do animal na Praia Brava, em Florianópolis, no início de janeiro.

Desdobramentos e coação

Além dos menores, a Polícia Civil indiciou três adultos — dois pais e um tio dos jovens — pelo crime de coação no curso do processo. Eles são acusados de utilizar violência e ameaças, inclusive com o uso de arma de fogo, para intimidar testemunhas e um porteiro da região, na tentativa de obstruir as investigações.

O crime e o clamor por justiça

Orelha era um cão comunitário de aproximadamente 10 anos, dócil e cuidado por moradores locais. No dia 4 de janeiro, ele foi brutalmente espancado com pauladas na região da cabeça. O animal foi encontrado agonizando dias depois e, devido à gravidade irreversível dos ferimentos, precisou ser submetido à eutanásia.

​O caso mobilizou ativistas da causa animal e celebridades como a cantora Ana Castela e o humorista Rafael Portugal, gerando uma onda de protestos e pressão para a alteração de leis de proteção animal no estado.

Próximos passos

Os adolescentes foram intimados a prestar depoimento oficial nos próximos dias. Por serem menores de idade, o caso é tratado sob as diretrizes do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), podendo resultar em medidas socioeducativas que incluem a internação por até três anos.

​A Polícia Científica agora trabalha na extração de dados dos dispositivos apreendidos para verificar se houve planejamento do ataque ou se outros animais foram vítimas do grupo. Há também indícios de que os jovens teriam tentado afogar um segundo cão, apelidado de Caramelo, que sobreviveu e foi adotado pelo delegado-geral da Polícia Civil catarinense.

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