Enquanto o debate sobre segurança pública no Brasil costuma ser dominado por estatísticas alarmantes, o pequeno município de Dores do Rio Preto, no interior do Espírito Santo, caminha no sentido oposto. Localizada aos pés do Parque Nacional do Caparaó, a cidade acaba de consolidar uma marca histórica: são quase quatro anos sem registrar um único homicídio.
O Cotidiano da “Paz Real”
Diferente de grandes centros onde a segurança é reforçada por muros altos e câmeras, em Dores do Rio Preto o cenário é de portas abertas. Com uma população estimada em pouco mais de 6 mil habitantes, o município baseia sua tranquilidade em pilares que vão além do policiamento ostensivo:
- Proximidade Social: O baixo contingente populacional permite que a Polícia Militar atue de forma comunitária. “Aqui, o policial conhece o cidadão pelo nome”, relatam os moradores.
- Economia Estável: O agronegócio, focado na cafeicultura de qualidade, e o turismo ecológico mantêm a circulação de renda e baixos índices de vulnerabilidade social.
- Cultura de Vigilância Coletiva: A sensação de pertencimento faz com que a própria comunidade atue na prevenção, reportando movimentações estranhas antes que conflitos escalem.
Atualizações e Contexto Regional
De acordo com os dados mais recentes da Secretaria de Estado da Segurança Pública (SESP-ES), o Espírito Santo como um todo vem apresentando reduções sucessivas nos índices de Crimes Violentos Letais Intencionais (CVLI). No entanto, o caso de Dores do Rio Preto é tratado como um “ponto fora da curva” e um modelo de gestão para cidades de pequeno porte.
O programa estadual Estado Presente em Defesa da Vida tem investido em tecnologia e inteligência, mas em Dores, o diferencial permanece sendo a prevenção primária. A ausência de crimes letais impacta diretamente no turismo: a cidade tornou-se um refúgio para quem busca o Pico da Bandeira e deseja dormir sem o receio da violência urbana.
Os Desafios do “Oásis”
Apesar do otimismo, as autoridades locais e estaduais mantêm o alerta. O objetivo agora é combater crimes de menor potencial ofensivo, como furtos rurais e violência doméstica, que muitas vezes permanecem subnotificados em cidades pequenas.
”A paz em Dores do Rio Preto não é ausência de problemas, mas a presença de uma rede de apoio eficiente entre prefeitura, polícia e cidadãos,” afirma a gestão municipal.




