Haddad indica Guilherme Mello a Lula para vaga na diretoria do Banco Central

O secretário de Política Econômica pode assumir diretoria técnica após reunião de três horas no Planalto

​O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, apresentou formalmente ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, neste sábado (31 de janeiro de 2026), a indicação de Guilherme Mello para assumir uma das cadeiras vagas na diretoria do Banco Central. A movimentação ocorre após uma reunião de aproximadamente três horas no Palácio do Planalto e consolida Mello como o nome de confiança da equipe econômica para reforçar a interlocução entre o Ministério da Fazenda e a autoridade monetária.

​Atualmente, o Banco Central opera com duas diretorias sem titulares definitivos: a de Política Econômica e a de Organização do Sistema Financeiro e Resolução. Os mandatos dos antigos ocupantes encerraram-se em dezembro de 2025, e os postos vêm sendo exercidos de forma interina. A escolha de Guilherme Mello, que chefia a Secretaria de Política Econômica (SPE) desde o início do atual mandato de Lula em 2023, repete a estratégia utilizada com Gabriel Galípolo, que também migrou da Fazenda para o BC antes de assumir a presidência da autarquia.

​Perfil técnico e alinhamento político

​Economista e professor da Unicamp, Guilherme Mello é visto como um dos principais formuladores das políticas públicas do governo. Com vasta trajetória acadêmica voltada ao desenvolvimento nacional e macroeconomia, ele foi peça-chave na elaboração do programa econômico de Lula durante a campanha de 2022.

​Dentro da Fazenda, Mello é reconhecido por desenhar as projeções de inflação e crescimento que sustentam o arcabouço fiscal. Sua possível ida ao BC é interpretada pelo mercado como um esforço do governo para ter uma voz mais alinhada à política desenvolvimentista dentro do Comitê de Política Monetária (Copom), especialmente em um cenário onde a taxa Selic permanece em patamares elevados (atualmente em 15%).

​Próximos passos

​Caso o presidente Lula aceite oficialmente a sugestão — o que é dado como certo por interlocutores do governo —, a indicação de Guilherme Mello seguirá para o Senado Federal. Lá, ele deverá ser submetido a uma sabatina técnica na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE).

​Somente após a aprovação pela comissão e pelo plenário do Senado é que Mello poderá ser nomeado. Se confirmado, ele passará a ter direito a voto nas reuniões do Copom, que define o rumo dos juros no Brasil, ajudando a completar o colegiado que agora conta majoritariamente com indicados pela atual gestão.

Deixe um comentário