O que antes era um mercado restrito a farmácias de luxo e consultórios médicos tornou-se o novo alvo das organizações criminosas na fronteira com o Paraguai. Em 2026, as autoridades de segurança de Mato Grosso do Sul (MS) confirmam uma mudança drástica na logística do crime: o contrabando de canetas emagrecedoras, como a semaglutida e a tirzepatida, passou a utilizar os mesmos corredores e métodos de transporte tradicionalmente destinados ao tráfico de cocaína e maconha.
Explosão de apreensões e logística do tráfico
Apenas nos primeiros dias de janeiro de 2026, o volume de medicamentos apreendidos nas rodovias de MS atingiu marcas alarmantes. Dados da Polícia Rodoviária Federal (PRF) e do Departamento de Operações de Fronteira (DOF) indicam uma média de 39 unidades apreendidas por dia.
- A “Rota do Lucro”: Criminosos utilizam rodovias como a BR-463, MS-164 e MS-162 para escoar os produtos vindos de Pedro Juan Caballero e Salto del Guairá.
- Camuflagem: Assim como as drogas, as canetas são escondidas em fundos falsos, estepes de veículos e até dentro de bichos de pelúcia para tentar burlar a fiscalização.
- Novas Estratégias: A Vigilância Sanitária identificou que remetentes ilegais estão enviando ampolas separadas para o abastecimento das canetas via Correios, tentando evitar a detecção por raio-X.
Principais marcas e o risco à saúde
O foco dos contrabandistas são as substâncias agonistas do GLP-1. Recentemente, a Anvisa proibiu marcas específicas vindas do Paraguai, como Synedica e TG, conhecidas como “canetas paraguaias”.
Atenção: Medicamentos apreendidos frequentemente viajam sem qualquer refrigeração, o que anula sua eficácia e pode gerar compostos tóxicos. Relatos médicos em 2026 já associam o uso desses produtos ilegais a casos de insuficiência respiratória e complicações neurológicas graves, como a Síndrome de Guillain-Barré.
Perfil dos envolvidos
A investigação aponta que o perfil de quem transporta esses produtos é variado. No início deste ano, estudantes de medicina foram presos em flagrante transportando centenas de unidades para revenda em grandes centros como São Paulo e cidades do Nordeste. O lucro é o principal motor: uma caneta comprada por um valor baixo no Paraguai pode ser revendida por até R$ 3.000,00 no mercado paralelo brasileiro.
A Receita Federal estima que este mercado clandestino possa movimentar cerca de R$ 600 milhões anualmente, com apenas 5% da carga sendo efetivamente interceptada pelas autoridades.




