Mesmo sob o fogo cruzado de novas crises institucionais e o avanço de investigações que atingem o coração do Supremo Tribunal Federal (STF), a organização do XIV Fórum Jurídico de Lisboa — popularmente apelidado de “Gilmarpalooza” — confirmou a realização da edição de 2026. O evento, que se tornou o epicentro do networking político-jurídico brasileiro na Europa, ocorrerá entre os dias 1 e 3 de junho, mantendo a tradição de reunir ministros, empresários e políticos em Portugal.
O contexto da crise: Caso Master e o racha no Supremo
A confirmação do evento acontece em um momento de extrema sensibilidade para o Judiciário brasileiro. O início de 2026 tem sido marcado pelo desdobramento do “Caso Master”, um escândalo de corrupção e fraude bancária que envolve suspeitas de interferência em decisões do Banco Central e contratos atípicos.
- Pressão sobre Dias Toffoli: O ministro é relator de inquéritos que apuram irregularidades na compra do banco pelo BRB. A manutenção do caso sob sua relatoria tem sido alvo de críticas acerbas e pedidos de suspeição.
- Resistência ao Código de Conduta: Enquanto o ministro Edson Fachin tenta emplacar um novo código de ética para os magistrados — inspirado no modelo alemão, que prevê transparência total em palestras e cachês —, figuras centrais do “Gilmarpalooza”, como o próprio Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes, têm se posicionado contra a proposta, aprofundando o racha interno na Corte.
Detalhes e confirmados para 2026
Apesar das críticas sobre o custo das viagens (muitas vezes custeadas por cofres públicos ou entidades privadas com interesses no Judiciário), a lista de palestrantes para junho já ganha corpo. O tema central deste ano focará na “Governança Digital e Inteligência Artificial”, buscando dar um tom acadêmico ao encontro.
Críticas e o “Efeito Blindagem”
Para especialistas e críticos do evento, o fórum em Lisboa funciona como uma “bolha de desconexão”. Enquanto Brasília ferve com investigações da Polícia Federal sobre arapongagem e corrupção sistêmica, o encontro em Portugal oferece um ambiente de confraternização longe do escrutínio direto da população brasileira.
”As pessoas atravessam o oceano e parece que os problemas ficaram para trás”, ironizou um dos participantes de edições anteriores em declaração recente à imprensa.
Por outro lado, o ministro Gilmar Mendes defende a idoneidade do fórum, afirmando que o espaço serve para o “aprimoramento democrático” e que as críticas são fruto de “desinformação”.




