A paisagem do varejo de alimentação no Brasil ganha um novo e agressivo capítulo em fevereiro de 2026. A Ai-Cha, gigante asiática especializada em chás e sorvetes soft, confirmou a abertura de sua primeira unidade em solo brasileiro para o dia 20 de fevereiro, no tradicional bairro da Liberdade, em São Paulo. A estreia é o ponto de partida para um plano de expansão que prevê um investimento de R$ 100 milhões e a meta de alcançar 150 lojas no país.
Fundada na Indonésia em 2019 pelos irmãos Lie, a marca chega com uma estratégia de preços disruptiva para enfrentar a concorrência local e internacional: sorvetes de casquinha a partir de R$ 5 e bebidas geladas a partir de R$ 10. O objetivo é democratizar o consumo de itens como o bubble tea, antes restritos a um público de nicho ou shoppings de alto padrão.
Estratégia e números do projeto
A operação brasileira está sob o guarda-chuva do Nanyang Group, conglomerado que já opera mais de 2 mil unidades globalmente (entre lojas abertas e contratos assinados) em 31 países. Para o Brasil, as projeções são ambiciosas:
- Faturamento estimado: Até R$ 270 milhões por ano após a consolidação da rede.
- Ticket médio: A expectativa é que o gasto por cliente gire entre R$ 12 e R$ 13.
- Público-alvo: Foco total na Geração Z e no público jovem, atraídos pela estética das lojas e pelo baixo custo.
”Vamos começar com um produto de entrada que são sorvetes acessíveis para ganhar escala rapidamente”, afirma Matheus Diniz, head de marketing e comunicação da Ai-Cha no Brasil. A marca busca ocupar o espaço deixado por redes que encareceram nos últimos anos, posicionando-se como uma alternativa de alta rotatividade.
A guerra dos sorvetes asiáticos
A chegada da Ai-Cha não ocorre de forma isolada. O mercado brasileiro tornou-se o novo campo de batalha para as gigantes do “baixo custo oriental”. Sua principal rival global, a chinesa Mixue — que detém mais de 45 mil lojas no mundo e superou o número de unidades do McDonald’s —, também anunciou planos bilionários para o Brasil, com previsão de investir R$ 3,2 bilhões até 2030.
Além das rivais asiáticas, a Ai-Cha terá de enfrentar players consolidados no cenário nacional, como a Chiquinho Sorvetes, que possui forte capilaridade no interior, e redes de fast-food tradicionais que utilizam a sobremesa barata como principal chamariz de tráfego.
O diferencial operacional
Diferente das sorveterias artesanais, o modelo da Ai-Cha é baseado na padronização extrema e em uma cadeia de suprimentos otimizada. A marca-irmã do grupo, a Zendar, embora ainda não opere por aqui, faz parte do ecossistema que garante a eficiência tecnológica e logística que a empresa pretende replicar no mercado brasileiro.
Com a inauguração na Liberdade, a empresa espera validar seu modelo de franquia para, em seguida, iniciar a interiorização da marca, apostando que o brasileiro não resistirá ao binômio “novidade tecnológica” e “preço popular”.




