Moradores de Jacarezinho, Cohapar e Governo do Paraná enfrentam polêmica sobre abandono de casas populares

O sonho da casa própria tem se transformado em pesadelo para famílias de baixa renda em Jacarezinho, no Norte Pioneiro do Paraná. Uma série de denúncias que circulam nas redes sociais e ganharam força nos últimos meses expõe um cenário crítico: imóveis da Companhia de Habitação do Paraná (Cohapar) entregues ou em processo de ocupação apresentam sinais graves de deterioração, abandono e falta de manutenção básica.

​A situação, que já havia sido destacada em portais de notícias locais como o Diário Nacional Online, revela um abismo entre o anúncio de investimentos vultosos e a realidade vivida nas ruas. Enquanto o Governo do Estado e lideranças políticas celebram a entrega de centenas de novas unidades, moradores de conjuntos já estabelecidos relatam rachaduras, infraestrutura comprometida e a sensação de esquecimento pelo poder público.

​O contraste entre o discurso e a prática

​Recentemente, o deputado Luiz Claudio Romanelli e o prefeito Marcelo Palhares anunciaram que Jacarezinho garantiu a moradia para mais 364 famílias por meio do Residencial Parque dos Ipês, um investimento que ultrapassa os R$ 60 milhões em parceria com o programa “Casa Fácil Paraná”. No entanto, para quem já recebeu as chaves em projetos anteriores, a celebração dá lugar à indignação.

​As reclamações apontam que o acompanhamento pós-ocupação é praticamente inexistente. “As casas deveriam representar dignidade, mas o que vemos é descaso. Sem assistência técnica ou reformas, a estrutura se desfaz”, afirma um dos relatos compartilhados por cidadãos que cobram uma postura mais firme da Cohapar e da prefeitura local.

​Resposta oficial e novas medidas

​Em meio ao desgaste da imagem pública, o Governo do Paraná lançou em setembro de 2025 uma proposta para perdoar dívidas de até R$ 7 mil de mutuários da Cohapar que estejam em situação de vulnerabilidade. A medida visa regularizar a posse dos imóveis e aliviar financeiramente as famílias, mas não resolve diretamente o problema da degradação física das moradias denunciadas.

​A Cohapar, por sua vez, reforça que mantém canais oficiais de ouvidoria para receber reclamações técnicas, mas ressalta que a manutenção de uso dos imóveis, após a entrega e o período de garantia da obra, muitas vezes recai sobre o proprietário, o que gera um impasse para famílias que não possuem recursos para reformas emergenciais.

​Cenário de incertezas

​Embora Jacarezinho esteja no centro de um grande volume de investimentos estaduais — que somam cerca de R$ 115 milhões em diversas áreas, incluindo infraestrutura urbana e inovação tecnológica — o setor habitacional segue como um “ferida aberta”. A falta de um plano efetivo de zeladoria para os conjuntos habitacionais antigos ameaça transformar áreas de interesse social em novos focos de exclusão urbana.

​A reportagem continuará acompanhando o desdobramento das denúncias e aguarda um posicionamento detalhado da prefeitura sobre cronogramas de manutenção nas vias de acesso e infraestrutura básica dos bairros afetados pelo abandono.

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