A cena política paranaense sofreu uma reviravolta drástica neste início de semana. O anúncio da filiação de Aldo Rebelo ao Democracia Cristã (DC) para disputar a Presidência da República desencadeou uma intervenção direta na estrutura estadual da legenda. A antiga comissão foi sumariamente destituída, dando lugar a uma nova Regional sob o comando de Ricardo Gomide.
A mudança, embora estratégica para os planos nacionais da sigla, abriu uma ferida profunda na base paranaense, que se identifica com pautas conservadoras e de direita.
O estopim da crise e a indignação em Maringá
Em Maringá, o cenário ainda é de incerteza. Embora a comissão provisória local permaneça inalterada até o momento, as baixas já começaram. José Marcos Badini, que consolidava sua pré-candidatura a deputado estadual, anunciou a desistência do pleito e não escondeu a revolta com a troca de comando.
Para Badini e outros aliados, a chegada de Rebelo — político com histórico ligado a pautas de esquerda e ex-ministro dos governos PT — representa uma afronta aos valores “cristãos e conservadores” que o partido vinha pregando no estado.
Ruptura e o anúncio de uma “nova casa”
A antiga diretoria regional publicou uma nota contundente classificando a movimentação da Nacional como uma “negociata inaceitável”. O texto utiliza metáforas de mudança para sinalizar que o grupo não pretende permanecer na sigla para apoiar o novo projeto.
Pontos principais do comunicado:
- Acusação de Traição: A cúpula nacional é acusada de romper com a trajetória histórica do partido sem diálogo prévio.
- Rejeição ao “Comunismo”: A nota cita nominalmente a insatisfação em marchar ao lado de “comunistas históricos”.
- Êxodo Confirmado: O grupo afirma que o “caminhão já está carregado” e que, nos próximos dias, anunciarão a migração conjunta para uma legenda assumidamente de direita.
O contexto nacional: Aldo Rebelo e o DC em 2026
A aposta do Democracia Cristã em Aldo Rebelo reflete uma tentativa de ocupar um vácuo de “centro-soberanista”. Rebelo tem circulado pelo país defendendo pautas ligadas à defesa da Amazônia e ao desenvolvimento nacional, tentando desvincular sua imagem da polarização extrema.
Contudo, no Paraná, onde o eleitorado de direita é majoritário e consolidado, a estratégia de “abrigar todos os espectros” sob a bandeira cristã parece ter gerado um curto-circuito difícil de reparar.
O que esperar a seguir?
A saída do grupo dissidente deve esvaziar chapas proporcionais do DC em diversas regiões do estado, especialmente no eixo Maringá-Londrina. A grande expectativa agora gira em torno de qual será a “nova casa” mencionada no comunicado — partidos como PL, Novo ou PMB surgem como os destinos mais prováveis para os órfãos da antiga gestão do DC.




