Educação animal une famílias, escolas e legislativo para formar gerações mais empáticas

Ensinar crianças e adolescentes a respeitar os animais deixou de ser apenas uma questão de bons modos para se tornar uma estratégia de saúde pública, desenvolvimento emocional e pauta prioritária no Congresso Nacional. Especialistas e educadores reforçam que o convívio guiado com pets não apenas previne a violência, mas atua diretamente na redução da ansiedade infantil e na construção da responsabilidade.

​O papel da escola e o avanço nas leis

​Recentemente, o debate sobre a inclusão do bem-estar animal no currículo escolar ganhou força com o Projeto de Lei 2746/2024, de autoria do deputado Marcos Tavares (PDT-RJ). A proposta visa tornar obrigatória a disciplina de “Educação de Proteção Animal” nos ensinos fundamental e médio, abordando temas como legislação vigente, impactos do abandono e ética no trato com seres sencientes.

​Além da prevenção, o Legislativo também endurece o tom contra a violência. O Projeto de Lei 133/2026, apresentado pelo deputado Alencar Santana, propõe a internação de adolescentes que cometam atos de crueldade animal que resultem em morte ou lesão grave. Segundo o parlamentar, a medida busca um caráter pedagógico, responsabilizando jovens e reforçando que animais não são objetos.

​Ciência comprova benefícios emocionais

​Estudos publicados entre o final de 2025 e início de 2026 na revista Preventing Chronic Disease apontam que crianças que convivem com cães apresentam uma regulação emocional significativamente melhor. O Dr. Renato Santos Coelho, pediatra e membro da Sociedade de Pediatria do Rio Grande do Sul (SPRS), destaca que essa interação reduz o tempo de tela e combate o isolamento social.

​”O animal funciona como um companheiro não julgador. O ato de cuidar — alimentar, escovar e passear — ensina à criança que o outro tem necessidades e limites, o que é a base da empatia”, explica o médico.

​Como educar na prática: Dicas dos especialistas

​Para quem deseja inserir esses valores na rotina dos filhos, especialistas sugerem passos fundamentais:

  • Exemplo dos pais: Crianças replicam o comportamento dos adultos. Tratar animais de rua com respeito e oferecer ajuda a cães comunitários são lições práticas de cidadania.
  • Supervisão constante: O contato deve ser mediado para que a criança entenda que o animal sente dor e precisa de descanso.
  • Responsabilidade gradual: Adolescentes podem assumir tarefas como a limpeza e a alimentação, entendendo que a guarda de um pet exige planejamento financeiro e de tempo.
  • Participação em ONGs: Projetos como o da prefeitura de Nova Iguaçu e campanhas como o Dezembro Verde incentivam jovens a visitar abrigos e entender a realidade do abandono.

​Educação que transforma

​Iniciativas como o “Abril Laranja” e ações em creches e pré-escolas têm demonstrado que a conscientização precoce é o caminho mais curto para reduzir os índices de maus-tratos no futuro. Como resume a pequena Laila Beatriz, de apenas 6 anos, participante de uma campanha no Distrito Federal: “Animal não é brinquedo, e abandonar é muito ruim”.

​A mensagem é clara: ao educar para o respeito aos animais, a sociedade está, na verdade, formando seres humanos mais gentis e conscientes para todas as esferas da vida.

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