Canaã dos Carajás, no sudeste do Pará, vive uma dualidade que desafia a lógica econômica tradicional. Conhecida como a “Terra Prometida”, a cidade ostenta o título de maior PIB per capita do Brasil, impulsionada pela operação bilionária da mineradora Vale. No entanto, ao caminhar pelas ruas da periferia, o cenário de abundância dá lugar a gargalos históricos em infraestrutura, saneamento e custo de vida.
Os números da riqueza astronômica
Segundo os dados mais recentes do IBGE, a riqueza gerada por habitante em Canaã dos Carajás ultrapassa a marca de R$ 800 mil por ano, um valor quase dez vezes superior à média nacional. O motor dessa explosão é o projeto S11D, a maior operação de minério de ferro a céu aberto do mundo.
- Arrecadação: O município recebe repasses massivos da CFEM (Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais).
- Crescimento: Em uma década, a cidade saltou de uma vila agrícola para um polo industrial global.
O lado B: Onde o dinheiro não chega
Apesar das cifras bilionárias no papel, a realidade cotidiana da população local revela os sintomas do “inchaço” urbano desordenado. A sensação de muitos moradores é de que a riqueza “passa pelo trilho do trem e vai embora”.
- Custo de Vida Inflacionado: A presença de trabalhadores da mineração com salários acima da média regional elevou os preços de aluguéis e alimentos, expulsando famílias de baixa renda para as margens.
- Saneamento e Saúde: A expansão da rede de esgoto e o acesso à saúde pública não acompanharam o ritmo da arrecadação, gerando filas e precariedade em bairros afastados do centro.
- Dependência Mineral: Existe o temor da “exaustão”. O que acontecerá com a cidade quando o minério acabar? A diversificação econômica ainda é um projeto timidamente executado.
Atualizações: O cenário em 2026
Recentemente, o governo municipal e a Vale anunciaram novos investimentos em polos tecnológicos e educacionais para tentar mitigar a “monocultura do minério”. O objetivo é transformar Canaã em um polo de serviços para o agronegócio e tecnologia, reduzindo a desigualdade que marca o atual paradoxo.
”Temos o maior PIB, mas o desafio é transformar o valor do minério em qualidade de vida real para quem não trabalha diretamente na mina,” afirma o conselho de desenvolvimento local.



