O senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS), ex-vice-presidente da República, elevou o tom contra o Supremo Tribunal Federal (STF) nesta semana, ao afirmar que é frequentemente cobrado pela sociedade para que o Senado dê andamento aos pedidos de impeachment contra ministros da Corte. Segundo o parlamentar, a pressão de eleitores é constante e ocorre em todas as regiões do país por onde circula.
“Não tem um único lugar que eu vá em que não seja cobrado por não termos colocado para frente o impeachment de algum ministro”, declarou Mourão. Para ele, o Congresso tem o dever institucional de agir caso haja respaldo popular para o afastamento de magistrados, uma vez que a “chancela do Senado” na nomeação dos ministros representa, em última instância, a vontade do povo brasileiro.
Contexto e recorde de pedidos no Senado
A fala de Mourão coincide com um momento de renovada tensão entre o Legislativo e o Judiciário neste início de 2026. Recentemente, a pressão sobre o STF ganhou novos contornos com o chamado “Caso Master”, que envolveu suspeitas sobre contratos de escritórios de advocacia ligados a familiares de ministros com o Banco Master.
Até o início de fevereiro de 2026, os dados atualizados indicam um cenário de acúmulo recorde:
- 73 pedidos de impeachment contra atuais ministros do STF aguardam análise no Senado.
- O ministro Alexandre de Moraes permanece como o principal alvo da oposição, concentrando cerca de 45 dessas representações.
- Outros ministros, como Dias Toffoli e o decano Gilmar Mendes, também figuram em pedidos protocolados recentemente, muitos deles baseados no argumento de “crime de responsabilidade” por suposta extrapolação de competências.
Barreiras políticas e regimentais
Apesar da retórica de Mourão e da mobilização da ala conservadora, o avanço desses processos enfrenta obstáculos significativos. A decisão de abrir ou não um processo de impeachment cabe exclusivamente ao presidente do Senado, cargo atualmente ocupado por Davi Alcolumbre (União-AP).
Alcolumbre, que assumiu o comando da Casa com a promessa de manter o equilíbrio entre os Poderes, tem sinalizado que não pretende pautar tais pedidos no curto prazo, sob o argumento de evitar uma crise institucional ainda maior. Além disso, decisões recentes do próprio STF buscaram blindar a Corte, estabelecendo que processos dessa natureza exijam quórum qualificado e fundamentação jurídica rigorosa, o que, na visão de juristas e governistas, reduz a chance de o impeachment ser usado como instrumento de retaliação política.
Mourão, no entanto, insiste que a permanência dos ministros depende da “chancela do povo” e que o Senado não pode se omitir diante do que classifica como um desgaste profundo da relação entre o Judiciário e a sociedade.




