A Human Rights Watch (HRW) apresentou um alerta contundente ao governo brasileiro: as táticas atuais de segurança pública estão falhando em conter a infiltração de facções criminosas nas instituições do Estado. Segundo a organização, a abordagem baseada quase exclusivamente em operações policiais letais não apenas é ineficaz, como fortalece o domínio territorial do crime organizado.
O diagnóstico da HRW
De acordo com o relatório mais recente e as diretrizes enviadas às autoridades brasileiras, a HRW enfatiza que a corrupção policial e a falta de controle externo são os principais portais de entrada para o crime no aparelho estatal.
- Infiltração Institucional: O crime organizado não opera mais apenas “nas sombras”, mas busca influenciar eleições locais e cooptar agentes de segurança e do judiciário.
- Violência como Sintoma: A organização argumenta que a alta letalidade policial em comunidades pobres cria um vácuo de legitimidade do Estado, que acaba preenchido pelas facções.
- Inteligência vs. Confronto: A recomendação é clara: o foco deve migrar do confronto armado para a asfixia financeira e a investigação de lavagem de dinheiro.
Contexto atual e desdobramentos
O cenário descrito pela HRW ganha urgência com os eventos recentes de 2025 e início de 2026. A expansão de milícias e facções como o PCC e o Comando Vermelho para áreas da Amazônia e o controle de setores do transporte público em grandes capitais demonstram que a “estratégia de guerra” não conteve o avanço geográfico dos grupos.
Em resposta, o Ministério da Justiça e Segurança Pública tem debatido a implementação de uma PEC da Segurança Pública, que visa centralizar diretrizes nacionais. No entanto, a HRW adverte que qualquer plano nacional será inócuo se não houver um mecanismo robusto de proteção a testemunhas e uma reforma profunda no sistema carcerário, que hoje funciona como “escritório central” do crime.
”O Estado não pode combater o crime agindo fora da lei. A impunidade em abusos policiais alimenta o ciclo de violência que as facções utilizam para recrutar novos membros.” — Trecho adaptado de diretrizes da HRW.




