Débora do Batom Pede a Moraes Para Depor na Câmara Sobre o 8/1, Comparando Caso a Fernandinho Beira-Mar

​A cabeleireira Débora Rodrigues dos Santos, conhecida como “Débora do Batom” por ter pichado a frase “Perdeu, mané” na estátua A Justiça em frente ao Supremo Tribunal Federal (STF) durante os atos de 8 de janeiro de 2023, formalizou um pedido ao ministro Alexandre de Moraes, relator dos inquéritos sobre os eventos, para que seja autorizada a comparecer à Câmara dos Deputados para depor.

​Débora, que cumpre pena de 14 anos de reclusão em regime domiciliar pelos crimes de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado, associação criminosa armada e deterioração de patrimônio tombado, recebeu um convite para participar de uma audiência na Subcomissão dos Réus do 8 de Janeiro.

​O Pedido e a Comparação Controversa

​O pedido da defesa de Débora dos Santos, protocolado na última segunda-feira, 8 de dezembro de 2025, solicita a flexibilização de sua prisão domiciliar para permitir a viagem a Brasília. A cabeleireira, que reside em Paulínia (SP), pretende prestar seu depoimento sobre os fatos e as condições a que, segundo a petição, os presos e réus do 8/1 teriam sido submetidos, mencionando alegações de “violências enquadradas como tortura“.

​Para embasar a solicitação, os advogados de Débora traçaram uma comparação controversa com o caso de Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar. A defesa citou a autorização concedida em 2001, pela 2ª Turma do STF, para que o líder do narcotráfico fosse transportado do presídio de segurança máxima para participar de audiências nas quais era réu.

​Situação Jurídica e Decisão de Moraes

​Débora Rodrigues dos Santos foi um dos primeiros casos julgados pelo STF, com sua condenação sendo mantida em decisões recentes, inclusive com a determinação de Moraes, em setembro de 2025, para a execução imediata da pena. Ela já estava em prisão domiciliar, concedida anteriormente por ser mãe de duas crianças menores de 12 anos, mas a manutenção da condenação e o trânsito em julgado dos recursos confirmaram a necessidade do cumprimento da sentença.

​A cabeleireira se tornou um símbolo para o movimento que defende a anistia ou a revisão das penas aplicadas aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro, com parte da argumentação de seus defensores focada na desproporcionalidade da sentença de 14 anos, considerando a natureza de sua participação — embora o STF a tenha condenado por um conjunto de cinco crimes graves, e não apenas pela pichação.

​Até o momento, o ministro Alexandre de Moraes ainda não se manifestou sobre o pedido de autorização para o deslocamento de Débora dos Santos à Câmara. A decisão será crucial para determinar se a cabeleireira poderá, de fato, se apresentar no Congresso Nacional e trazer sua versão dos fatos à Subcomissão.

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