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Polícia Federal rejeita nova tentativa de delação premiada do banqueiro Daniel Vorcaro no Caso Master

Polícia Federal rejeita nova tentativa de delação premiada do banqueiro Daniel Vorcaro no Caso Master

​A Polícia Federal (PF) comunicou formalmente ao Supremo Tribunal Federal (STF) a rejeição da segunda proposta de acordo de delação premiada apresentada pelo banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Esta é a segunda recusa dos termos de colaboração em menos de um mês, após o primeiro texto ter sido descartado pelos investigadores em 20 de maio.

​De acordo com as autoridades, o novo material entregue pela defesa não trouxe elementos inéditos ou provas substanciais que pudessem complementar as investigações já em curso. A avaliação conjunta da PF e de interlocutores da Procuradoria-Geral da República (PGR) é que Vorcaro demonstrou resistência em detalhar crimes cometidos por parceiros e parceiras de negócios, gerando nos investigadores a impressão de que o banqueiro agia de forma seletiva para proteger pessoas de seu círculo próximo.

​Falta de provas e o impasse dos R$ 60 bilhões

​A maior dificuldade enfrentada pelo executivo para homologar a colaboração tem sido a falta de corroboração de seus relatos por meio de documentos adicionais — uma barreira ampliada pelo fato de ele cumprir prisão preventiva. Na mesa de negociações, autoridades cobravam que o banqueiro fizesse o ressarcimento célere de cerca de R$ 60 bilhões, montante estimado em desvios por meio de fraudes financeiras na instituição. Embora a defesa tenha acenado com a possibilidade de elevar as garantias e o valor de ressarcimento a esse patamar, os anexos apresentados pecaram na falta de comprovação material.

​A nova proposta rejeitada chegou a citar figuras conhecidas da política e projetos paralelos, como o envio de um envelope contendo um projeto de lei ao senador Ciro Nogueira — acompanhado do repasse de uma suposta “mesada” de R$ 500 mil — e o financiamento do filme Dark Horse por meio de um fundo nos Estados Unidos. Contudo, Vorcaro alegou em seus depoimentos preliminares que os repasses financeiros e aportes a políticos ocorriam por “amizade”, sem contrapartida de propina ou atos ilícitos oficiais, justificativa que foi considerada inverossímil pela Polícia Federal perante o tamanho do esquema financeiro descoberto.

​O avanço das investigações e a rotina no cárcere

​As apurações apontam que as fraudes financeiras operadas no Banco Master — instituição que sofreu liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central — alcançam cifras bilionárias. A perícia inicial realizada em parte dos mais de oito telefones celulares apreendidos com o banqueiro revelou uma estrutura que ultrapassa os crimes financeiros tradicionais. A PF identificou indícios robustos de corrupção sistêmica, organização criminosa e, inclusive, o emprego de uma milícia privada voltada para extrair dados sigilosos e atacar concorrentes de mercado.

​Atualmente, Daniel Vorcaro cumpre a prisão preventiva em uma cela comum na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília. Ele havia sido realocado temporariamente para uma Sala de Estado-Maior para que pudesse trabalhar no acordo de delação junto aos seus defensores. No entanto, após pedidos dos investigadores baseados no regulamento interno e na baixa efetividade dos termos apresentados, o ministro relator do caso no STF autorizou sua transferência definitiva para a carceragem comum, limitando o contato com a defesa técnica aos horários padronizados de visita da instituição.


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