Câmara pauta cassação de Zambelli e Glauber; Ramagem e Eduardo Bolsonaro também estão na mira

A Câmara dos Deputados vive um momento de alta tensão política com a inclusão na pauta de votação dos processos de cassação dos mandatos da deputada Carla Zambelli (PL-SP) e do deputado Glauber Braga (PSOL-RJ). A decisão foi anunciada pelo presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), em meio a intensas articulações e protestos no plenário. Os casos dos deputados Alexandre Ramagem (PL-RJ) e Eduardo Bolsonaro (PL-SP) também estão em andamento e devem ser apreciados em breve.

​O Caso Zambelli e Ramagem: Condenações Judiciais

​Os deputados Carla Zambelli e Alexandre Ramagem enfrentam a possibilidade de cassação de seus mandatos por condenações criminais.

  • Carla Zambelli: O processo da deputada, que se encontra presa na Itália por ter fugido antes do trânsito em julgado de suas condenações, será levado a Plenário. A parlamentar, que possui cidadania italiana, teve seu nome incluído na lista vermelha da Interpol. A extradição está em análise pela Justiça italiana.
  • Alexandre Ramagem: Condenado a mais de 16 anos de prisão por tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito e foragido nos Estados Unidos, Ramagem teve sua perda de cargo de delegado da Polícia Federal já cumprida. O Supremo Tribunal Federal (STF) acionou a Câmara para a perda do mandato do deputado. Seu caso deve seguir para análise do Plenário na próxima semana.

​Para que as cassações por condenação judicial sejam aprovadas, são necessários pelo menos 257 votos favoráveis dos deputados, a maioria absoluta. Motta anunciou que, no caso de Zambelli e Ramagem, os processos irão diretamente ao Plenário, sem passar necessariamente por análise em comissão.

​Glauber Braga: Quebra de Decoro e Protesto Violento

​O deputado Glauber Braga tem a recomendação de cassação do seu mandato aprovada pelo Conselho de Ética da Casa desde abril, por agressão a um militante do MBL (Movimento Brasil Livre). O deputado do PSOL alega perseguição política, atribuindo o movimento ao ex-presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), devido às suas denúncias sobre o chamado orçamento secreto, o que Lira nega.

​Em um ato de protesto contra a pauta, Glauber ocupou a cadeira da Presidência da Câmara na tarde desta terça-feira (9), sendo retirado à força por agentes da Polícia Legislativa Federal, o que resultou em tumulto e roupas rasgadas. O presidente Hugo Motta repudiou a atitude, classificando-a como desrespeito à Câmara e ao Poder Legislativo, e afirmou que a democracia precisa ser defendida contra extremismos. Parlamentares aliados a Glauber manifestaram indignação com a violência da retirada, destacando uma suposta diferença de postura da Mesa Diretora em relação a protestos de deputados de oposição ao governo.

​Eduardo Bolsonaro: Faltas e Futuro Político

​O processo do deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, também está em curso por excesso de faltas, já que o parlamentar tem se ausentado das sessões por estar no exterior. Motta afirmou que o número de faltas é suficiente para a cassação. A cúpula da Câmara deve dar a palavra final na próxima semana, e há quem avalie que o desligamento por faltas pode ser uma estratégia para que o deputado continue elegível, diferentemente da cassação por quebra de decoro ou condenação judicial.

​A pauta com as cassações é vista nos bastidores como uma resposta da Mesa Diretora para não ser acusada de levar adiante apenas processos que tenham opositores do governo como alvo, após a pressão da direita por avançar no Projeto de Lei 2162/23, que busca reduzir as penas para os envolvidos nos atos golpistas de 8 de janeiro.

​A Câmara dos Deputados se prepara para uma das votações mais importantes e tensas dos últimos tempos, onde a manutenção do mandato de quatro parlamentares e a própria imagem institucional da Casa estão em jogo.

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