Flávio Bolsonaro ignora resultado das urnas, se autodeclara presidente e agradece Milei e Trump em carta divulgada nos EUA
Após deixar o Brasil por meio da fronteira com a Argentina, o senador Flávio Bolsonaro divulgou uma carta pública no exterior em que ignora o resultado oficial do segundo turno, questiona a lisura do processo eleitoral e se define como o “verdadeiro presidente eleito” do país. No manifesto publicado nas redes sociais, o parlamentar expressou agradecimentos diretos aos presidentes de Argentina, Javier Milei, e dos Estados Unidos, Donald Trump, pelo apoio prestado durante a sua saída do território nacional.
Derrotado nas urnas por Luiz Inácio Lula da Silva no pleito do último domingo, 25 de outubro, o senador alegou sofrer perseguição política por parte do Judiciário brasileiro e sustentou que continuará liderando a oposição ao novo governo a partir do exterior. Em um dos trechos do documento, Flávio solicitou a cassação da chapa vitoriosa sob alegações ilícitas na campanha, declarações contestadas pelas autoridades eleitorais brasileiras, que reiteraram a integridade do sistema de votação e da apuração dos votos.
Trajeto e reação internacional
Segundo informações das forças policiais, o parlamentar cruzou a fronteira em Foz do Iguaçu (PR) com destino a Puerto Iguazú na noite de terça-feira, 27 de outubro, de onde seguiu em voo privado rumo ao continente norte-americano. A viagem ocorreu no mesmo período em que seus passaportes nacionais foram alvos de determinações judiciais, levando o congressista a utilizar documentos alternativos durante o percurso transfronteiriço.
O episódio gerou forte repercussão diplomática e política. Nos Estados Unidos, parlamentares integrantes do Comitê de Relações Exteriores da Câmara dos Deputados teceram críticas à recepção e ao alinhamento concedido pelas autoridades norte-americanas à família Bolsonaro. Em contrapartida, analistas jurídicos e entidades de imprensa no Brasil alertaram para o teor institucionalmente desestabilizador do manifesto, ressaltando que questionamentos formais sobre pleitos eleitorais devem seguir estritamente o devido processo legal nas instâncias competentes.
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