O cenário político no Paraná entrou em ebulição nesta semana. O senador Sergio Moro (União-PR) ingressou com uma representação no Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR) para tentar impedir a divulgação e a realização de levantamentos da Quaest que avaliam a sucessão estadual e o desempenho do atual governador, Ratinho Junior (PSD).
A ofensiva jurídica ocorre em um momento de reposicionamento das peças no tabuleiro eleitoral de 2026. Recentemente, Ratinho Junior anunciou sua desistência de uma pré-candidatura à Presidência da República para focar em garantir seu controle sobre a sucessão no Paraná. O movimento é interpretado por analistas como uma tentativa direta de frear o avanço de Moro, que lidera as pesquisas de intenção de voto para o governo do estado.
O embate jurídico e os números
A equipe jurídica de Moro alega irregularidades técnicas na metodologia da pesquisa contratada pela Genial Investimentos. No entanto, nos bastidores, o gesto é visto como uma reação ao favoritismo do “sucessor de Ratinho”. Embora Moro lidere com cerca de 38% das intenções de voto (segundo dados da Quaest de agosto de 2025 e reforçados em março de 2026), a aprovação recorde do governador — que beira os 81% — indica que um nome apoiado pela máquina estadual tem alto potencial de crescimento.
| Candidato / Cenário | Intenção de Voto (Março/2026) |
|---|---|
| Sergio Moro (União) | 38% |
| Paulo Eduardo Martins (Novo) | 8% |
| Enio Verri (PT) | 7% |
| Guto Silva (PSD) | 6% |
| Brancos / Nulos / Indecisos | 41% |
Por que o desespero?
O “xeque-mate” de Ratinho Junior ao permanecer no estado desestabilizou a estratégia do União Brasil. Se antes Moro esperava enfrentar um grupo político órfão de seu principal líder, agora ele encara uma coalizão fortalecida.
“A saída de Ratinho da disputa nacional para blindar o Paraná é uma péssima notícia para Moro. Ele agora não enfrenta apenas nomes da esquerda, mas a popularidade de um governador que ‘fura a bolha’ e detém a chave da máquina pública”, avaliam analistas políticos locais.
Próximos passos
O TRE-PR deve decidir nos próximos dias sobre a liminar solicitada pelo senador. Caso a pesquisa seja liberada, os novos números podem confirmar se a migração dos votos de Ratinho (que antes eram testados para o Planalto) irá consolidar um candidato do PSD no estado ou se Moro conseguirá manter sua vantagem numérica diante da pressão do Palácio Iguaçu.
O senador, que já enfrentou processos de cassação e pressões de Brasília, agora joga em casa uma de suas partidas mais difíceis, tentando evitar que as estatísticas se tornem armas nas mãos de seus adversários regionais.




