O que começou como uma busca por acolhimento espiritual transformou-se em um pesadelo de três anos para a arquiteta Mary Helen, de 31 anos. O caso, que ganhou repercussão nacional através da BBC, detalha como uma pastora evangélica (cujo nome é mantido sob sigilo processual) utilizou sua posição de autoridade para perseguir e coagir uma fiel após ter um interesse romântico rejeitado.
O início: A confiança e o assédio
Mary Helen frequentava uma igreja em São Paulo em busca de suporte emocional. Segundo o relato, a pastora aproximou-se gradualmente, oferecendo conselhos e orações, até que o tom das interações mudou. O ponto de virada ocorreu quando a líder religiosa enviou uma mensagem direta convidando a fiel para sair, expressando sentimentos que extrapolavam a relação clérigo-fiel.
Ao receber o “não” de Mary Helen, a pastora não recuou. Pelo contrário, deu início a um ciclo de perseguição sistemática que incluiu:
- Mensagens incessantes: Dezenas de tentativas de contato diárias por aplicativos e redes sociais.
- Coação espiritual: Uso de passagens bíblicas para sugerir que a “rebeldia” da fiel traria consequências divinas.
- Vigilância física: Monitoramento de locais frequentados pela vítima e aparições não solicitadas em seu endereço.
O impacto psicológico e a Lei do Stalking
A vítima relata ter desenvolvido quadros graves de ansiedade e pânico. O caso ganha relevância jurídica por se enquadrar na Lei 14.132/2021, que criminalizou o stalking no Brasil.
Especialistas alertam que, em contextos religiosos, a vítima demora mais a denunciar por medo de exclusão social ou por acreditar que a conduta do líder é uma “orientação espiritual” mal interpretada. No caso de Mary Helen, a decisão de levar o caso à polícia ocorreu quando a perseguição começou a afetar sua vida profissional e segurança pessoal.
O cenário atual e as novidades
Embora casos de abusos cometidos por lideranças masculinas sejam mais documentados, o caso de Mary Helen acende um alerta sobre o abuso de autoridade por lideranças femininas e o assédio dentro de comunidades LGBTQIA+ inseridas em contextos religiosos.
”Eu achei que a igreja seria meu lugar seguro, mas a pessoa que deveria me guiar se tornou meu maior medo”, afirmou a vítima em depoimento.
Atualmente, o processo corre sob segredo de Justiça. A defesa da pastora nega as acusações de crime, alegando que as mensagens faziam parte do “aconselhamento pastoral”, mas as provas digitais (prints e registros de chamadas) foram aceitas para a abertura da investigação.







