Ministério da Presidência aponta crescimento de vistos no comércio e indústria após domínio da agricultura e construção


A paisagem da imigração laboral em Portugal está a passar por uma transição significativa. Embora os setores da agricultura e da construção civil continuem a liderar as taxas de aprovação de vistos e o volume de contratações, o Ministério da Presidência registou, nos últimos meses, um aumento expressivo na procura de mão de obra estrangeira para as áreas do comércio, serviços e indústria.
Esta diversificação ocorre num momento de profundas alterações legislativas. Com a entrada em vigor da Lei n.º 61/2025 e o fim das “manifestações de interesse”, o Governo português implementou uma política de fluxos migratórios mais controlados e direcionados às necessidades reais da economia.

O sucesso da “via verde” e a liderança da agricultura

O mecanismo conhecido como “via verde” para imigrantes, criado para agilizar a entrada de trabalhadores em setores críticos, tem mostrado resultados sólidos. De acordo com dados recentes do Governo, a agricultura mantém-se no topo da lista, representando uma fatia substancial dos mais de 1.300 imigrantes contratados através deste canal acelerado desde abril de 2024.
Na construção civil, o cenário é semelhante. A AICCOPN (Associação dos Industriais da Construção Civil e Obras Públicas) sublinha que, embora o número de vistos emitidos esteja a crescer — com uma taxa de aprovação global a rondar os 67% —, a necessidade de trabalhadores qualificados e não qualificados continua a ser urgente para cumprir os prazos das obras do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR).

Novos protagonistas: Comércio, serviços e indústria

O Ministério da Presidência sublinha agora que o interesse das empresas já não está confinado ao campo ou aos estaleiros.

  • Comércio e Serviços: Com a retoma plena do consumo e o dinamismo do turismo, as empresas destes setores têm recorrido cada vez mais aos consulados para recrutar profissionais.
  • Indústria: A procura por técnicos especializados para o setor fabril tem ganho tração, impulsionada pela necessidade de modernização e substituição geracional nas unidades produtivas.

Mudanças no horizonte legal

O contexto para os próximos meses será marcado por regras mais rigorosas. Portugal suspendeu recentemente o antigo “visto de procura de trabalho” genérico, substituindo-o por um modelo focado em trabalho qualificado. Esta medida visa atrair perfis com competências técnicas específicas, tentando equilibrar a imigração de baixa qualificação com as exigências de uma economia mais tecnológica.
Além disso, o tempo médio para a emissão de vistos fixou-se em cerca de 17 dias, um prazo que o Ministério da Presidência considera demonstrativo da eficácia das novas reformas. Para os setores do comércio e indústria, este agendamento direto e a celeridade processual são vistos como fundamentais para evitar a quebra de produtividade.
Em suma, enquanto a agricultura e a construção consolidam a sua base de trabalhadores estrangeiros, Portugal abre agora as portas de forma mais estruturada para que o comércio e a indústria possam suprir as suas carências de pessoal através de vias legais e planeadas.

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