O “Big Brother Brasil 26” mal começou e já enfrenta sua primeira crise de grandes proporções ética e social. O epicentro da polêmica é o participante Matheus Moreira, bancário gaúcho que entrou no programa após a dinâmica do Quarto Branco. Durante a primeira Festa do Líder, Matheus teve comportamentos que foram amplamente classificados como homofóbicos por outros confinados, gerando revolta dentro e fora da casa. No entanto, o que mais assusta não é apenas o comportamento do “brother”, mas a omissão estratégica da TV Globo diante dos fatos.
Os fatos no confinamento
As tensões escalaram quando Matheus realizou um desfile improvisado na sala, utilizando trejeitos afeminados de forma caricata e pejorativa para “exibir” seu figurino. A cena atingiu em cheio o médico Marcelo Alves, que não conteve as lágrimas. “Ele desfilou como se fosse um viado, eu fiquei hiperincomodado. Passei minha vida todinha sofrendo com isso”, desabafou Marcelo em conversa com Breno e Maxiane.
A conduta de Matheus não foi um episódio isolado. O influenciador Juliano Floss também expôs comentários preconceituosos feitos pelo gaúcho sobre suas roupas: “Ele olhou para mim e disse: ‘Bah, se coloco isso aí eu, um negão desses, vish'”. Além disso, o veterano Babu Santana relatou ter ouvido Matheus entoar cânticos de torcidas de futebol (Inter e Grêmio) que possuem teor explicitamente homofóbico, justamente ao lado de Breno, um dos participantes abertamente LGBTQIA+ da edição.
A inércia da emissora
Mesmo diante de um cenário onde o preconceito foi verbalizado, performado e gerou sofrimento psicológico visível em outros competidores, a direção do programa optou por não intervir de forma contundente. Até o momento, a Globo tratou as situações apenas como “conflitos de convivência” ou “pautas para o entretenimento”, sem aplicar advertências formais ou realizar o necessário letramento pedagógico ao vivo, como já ocorreu em edições anteriores.
A decisão de “deixar o jogo seguir” é perigosa. Ao silenciar sobre atitudes que beiram o crime de homofobia (equiparado ao racismo pelo STF), a emissora falha em sua responsabilidade social e envia uma mensagem ambígua ao público: a de que o entretenimento vale mais do que o respeito e a dignidade humana.
Repercussão e “ranço”
Nas redes sociais, a tag criticando a postura de Matheus — e a inércia da Globo — dominou os tópicos mais comentados. Internautas relembram que o participante já havia sido criticado por comentários invasivos sobre a vida pessoal da participante Gabriela. Dentro da casa, o “ranço” por Matheus já une grupos distintos, como Ana Paula e Babu, que enxergam no comportamento do bancário um perfil tóxico que não deveria ser validado pelo público ou pela produção.
Se o BBB se propõe a ser o “espelho da sociedade”, a imagem refletida neste início de temporada é preocupante. A Globo tem em mãos a chance de corrigir o rumo e mostrar que o preconceito não é entretenimento, mas a manutenção do silêncio sugere que, para o bônus da audiência, o ônus da homofobia ainda é tolerado.




