A assinatura do memorando de entendimento entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, oficializou o fim dos combates armados iniciados com a ofensiva de 28 de fevereiro. O pacto, firmado digitalmente e intermediado em Versalhes e Islamabad, estabelece um cessar-fogo imediato e permanente em todas as frentes, estendendo-se também ao Líbano. No entanto, o desfecho diplomático traz à tona a inevitável pergunta: para que serviu a guerra?
Para analistas internacionais e opositores políticos em Washington, o resultado configura uma severa derrota de cálculo estratégico para os EUA e, por consequência, para Israel. A ofensiva militar pretendia isolar e subjugar o regime de Teerã, mas os termos acordados revelam concessões massivas por parte da Casa Branca, evidenciando o fracasso em atingir os objetivos iniciais.
Os termos do acordo e o custo da reconstrução
O documento de 14 pontos impõe obrigações severas aos signatários e redesenha a geopolítica da região:
- Fim do Bloqueio e Retirada: Os EUA se comprometeram a suspender o cerco naval e os impedimentos contra os portos iranianos em até 30 dias, além de retirar suas forças das proximidades do Irã após o acordo final.
- Reparação Financeira: Washington aceitou desenvolver um plano mútuo com orçamento mínimo de US$ 300 bilhões voltado para a reconstrução e o desenvolvimento econômico da infraestrutura iraniana destruída.
- Programa Nuclear: O Irã manterá o atual status quo de suas instalações e não transferirá seu material enriquecido para fora do país, mantendo autonomia conforme suas necessidades internas.
- Reabertura de Rota Marítima: Em contrapartida, Teerã reabriu imediatamente o Estreito de Ormuz, garantindo a passagem segura de embarcações comerciais e aliviando a crise global de abastecimento que vinha retendo milhões de barris de petróleo diariamente.
Reações políticas e o impacto econômico
O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, celebrou o resultado afirmando que o país “não negociou sua dignidade” e resistiu às pressões externas sem se colocar de joelhos. O líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, indicou que deu o aval final ao texto após as garantias de soberania territorial e do fim definitivo das agressões.
”Vocês perderam uma guerra que nunca deveriam ter começado e se renderam nos termos do Irã.”
— Trecho de críticas repercutidas por opositores da estratégia americana na região.
Por outro lado, Donald Trump enfrenta duras críticas internas de democratas e republicanos conservadores. O líder partidário Chuck Schumer declarou que o Irã venceu em praticamente todos os pontos e que “Trump fez um péssimo trabalho de negociação”.
Em resposta na rede Truth Social, o presidente americano defendeu-se enfatizando os impactos econômicos imediatos do cessar-fogo: a bolsa de valores registrou recordes históricos e os preços globais do petróleo começaram a despencar, aproximando o barril de WTI e Brent aos patamares de preço anteriores ao início das hostilidades em fevereiro.
As comissões diplomáticas de ambos os países têm agora um prazo máximo de 60 dias para consolidar as diretrizes deste memorando em um tratado de paz definitivo. Resta o rastro de milhares de mortes civis e militares no Líbano e no Irã, consolidando uma tragédia humana cujo ganho estratégico é nulo para o bloco ocidental.
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