Acordo Mercosul-UE amplia acesso brasileiro ao mercado global para 36%, destaca CNI

Em um desdobramento que redefine o posicionamento estratégico do Brasil no cenário internacional, a assinatura formal do acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia, ocorrida neste sábado (17 de janeiro de 2026), foi classificada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) como uma “virada de chave”. Segundo levantamento da entidade, o tratado permitirá que o Brasil salte de um acesso de apenas 8% para 36% do mercado mundial de importações de bens.

O pacto, concluído após mais de 25 anos de negociações, cria uma das maiores zonas de livre comércio do planeta, integrando um mercado de 720 milhões de pessoas e um PIB combinado que supera os US$ 22 trilhões.

Transição gradual e proteção à indústria nacional

A análise técnica da CNI detalha que, embora a abertura seja ambiciosa, o cronograma foi desenhado para mitigar choques na produção local. Enquanto a União Europeia zerará tarifas para 95% dos bens do Mercosul em até 12 anos, o bloco sul-americano terá um prazo mais estendido, de até 15 anos, para eliminar impostos sobre 91% dos produtos europeus.

  • Vantagem no Prazo: Em média, o Brasil terá oito anos a mais que os europeus para se adaptar plenamente às novas regras tarifárias.
  • Setores Sensíveis: Segmentos como o automotivo possuem os prazos mais longos. Carros a combustão terão redução gradual em 15 anos, enquanto veículos elétricos podem chegar a 18 anos de transição, visando o desenvolvimento tecnológico interno.

Impactos imediatos e ganhos para o agronegócio

Apesar da transição lenta para alguns setores industriais, o agronegócio e certas categorias de manufaturados devem sentir efeitos positivos já no “Dia 1” após a ratificação.

  • Exportações: Estima-se que, para cada R$ 1 bilhão exportado para a UE, sejam gerados mais de 21 mil empregos no Brasil.
  • Cotas Agrícolas: O acordo estabelece cotas preferenciais para carnes, açúcar e arroz. No caso da carne bovina, a cota de 99 mil toneladas é o dobro da concedida pela UE ao Canadá.
  • Insumos: A redução de custos em máquinas, equipamentos e produtos químicos importados da Europa deve reduzir o chamado “Custo Brasil”, aumentando a competitividade das fábricas nacionais.

Próximos passos

A assinatura em Assunção é o primeiro ato político definitivo de 2026, mas o texto ainda precisa passar pela aprovação do Parlamento Europeu e dos congressos nacionais dos países membros do Mercosul. A expectativa é que a “vigência provisória” da parte comercial ocorra ainda este ano, permitindo o início imediato da queda de tarifas para itens selecionados.

“Este acordo garante acesso imediato ao mercado europeu e reposiciona o Brasil globalmente, criando um incentivo para avançarmos na nossa agenda de competitividade estrutural”, afirmou Ricardo Alban, presidente da CNI.

Você gostaria que eu detalhasse quais categorias de produtos industriais terão tarifa zero imediata com o início da vigência do acordo?


CNI classifica acordo Mercosul-UE como avanço histórico

Este vídeo apresenta a análise detalhada de especialistas e representantes da CNI sobre os impactos diretos do acordo na competitividade e tecnologia da indústria brasileira.

Deixe um comentário