O anúncio da conclusão das negociações do acordo entre Mercosul e União Europeia marca o fim de uma espera de mais de duas décadas e abre um novo capítulo para a economia brasileira. Embora o corte de tarifas de importação e exportação seja o ponto mais discutido, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) alerta que o verdadeiro potencial do tratado reside na modernização das regras de comércio e na segurança jurídica.
Com a assinatura oficial ocorrida recentemente, o foco agora se volta para a ratificação pelos parlamentos. Para o setor produtivo, o pacto funciona como um “selo de qualidade” que pode atrair investimentos estrangeiros diretos em níveis recordes, posicionando o Brasil como um hub estratégico na América Latina.
As 10 principais vantagens para o Brasil
De acordo com o levantamento da CNI, os benefícios se dividem entre ganhos operacionais imediatos e transformações estruturais a longo prazo:
- Acesso ampliado ao mercado europeu: Redução gradual de tarifas para produtos industriais e agroindustriais, facilitando a entrada em um mercado de 450 milhões de consumidores.
- Facilitação de comércio: Desburocratização de processos alfandegários, reduzindo custos logísticos e o tempo de liberação de cargas.
- Compras governamentais: Empresas brasileiras poderão participar de licitações públicas em países da UE em igualdade de condições, um mercado bilionário até então restrito.
- Serviços e investimentos: Regras claras que protegem investidores e facilitam a prestação de serviços brasileiros (como TI e arquitetura) no exterior.
- Barreiras técnicas: Harmonização de normas e padrões, evitando que exigências técnicas excessivas sejam usadas como protecionismo disfarçado.
- Propriedade intelectual: Fortalecimento da proteção a patentes e marcas, incentivando a inovação tecnológica no Brasil.
- Indicação Geográfica: Reconhecimento e proteção de produtos típicos brasileiros (como cafés e cachaças), agregando valor e exclusividade no mercado externo.
- Desenvolvimento Sustentável: Compromissos com metas ambientais que tornam os produtos brasileiros mais aceitáveis e competitivos sob a ótica da economia verde.
- Integração de cadeias globais: Facilidade para importar componentes e máquinas de alta tecnologia da Europa para modernizar as fábricas locais.
- Segurança jurídica: Um marco regulatório estável que reduz o “Risco Brasil” e atrai capital estrangeiro de longo prazo.
O que dizem os especialistas e as últimas novidades
O otimismo da CNI é acompanhado por uma cautela estratégica. O governo brasileiro e os parceiros do Mercosul já iniciaram o diálogo com os setores produtivos para preparar a transição produtiva. O objetivo é garantir que pequenas e médias empresas consigam se adaptar às novas normas de sustentabilidade exigidas pelo bloco europeu.
As últimas atualizações indicam que o texto passará agora pela revisão jurídica e tradução para as 24 línguas oficiais da UE. No Brasil, o setor industrial vê o acordo como uma “virada de chave” para reverter o processo de desindustrialização, forçando um aumento da produtividade nacional através da competição saudável e do acesso a novas tecnologias.
“Este acordo não é apenas sobre vender mais, é sobre participar das regras do jogo global. Ele insere o Brasil no centro das decisões comerciais do século XXI,” destaca a análise técnica da CNI.




