Uma mulher condenada por participação nos ataques às sedes dos Três Poderes, em 8 de janeiro de 2023, foi presa nesta segunda-feira (2) em São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba. A captura ocorreu no momento em que a foragida tentava emitir uma nova cédula de identidade (RG) em um posto de atendimento local.
A suspeita era considerada foragida da Justiça brasileira após ter rompido a tornozeleira eletrônica e buscado refúgio na Argentina. Segundo informações preliminares, ela teria retornado clandestinamente ao Brasil e tentava obter o novo documento para facilitar sua circulação e ocultar sua real identidade.
Fuga e movimentações na Argentina
A detida faz parte de um grupo de dezenas de brasileiros que cruzaram a fronteira em direção ao país vizinho ao longo de 2024 e 2025, na esperança de obter asilo político sob o governo de Javier Milei. No entanto, a situação dos foragidos do 8 de janeiro na Argentina sofreu reviravoltas recentes. Em dezembro de 2025, a Justiça argentina autorizou a extradição de vários brasileiros, e o Comitê Nacional para Refugiados (Conare) local passou a negar pedidos de refúgio, colaborando com as ordens de prisão expedidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
A prisão no Paraná
A identificação da acusada foi possível graças ao sistema de inteligência da Polícia Civil do Paraná integrado aos bancos de dados nacionais. Ao inserir os dados para a renovação do RG, o sistema acusou o mandado de prisão preventiva em aberto expedido pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF.
Além da ordem de prisão por descumprimento de medidas cautelares e pela condenação original, a investigada teve bens bloqueados e contas bancárias congeladas por determinação judicial.
Próximos passos
Após a prisão, a mulher foi encaminhada para exames de corpo de delito e transferida para o sistema prisional paranaense. Ela deve permanecer à disposição do STF, que decidirá sobre sua transferência para Brasília.
O caso reforça o cerco aos condenados que tentaram escapar das penas impostas pela Corte brasileira. Estima-se que mais de 60 pessoas ligadas aos atos golpistas ainda estejam em solo estrangeiro, mas a cooperação internacional e o monitoramento em órgãos de identificação têm resultado em recapturas sucessivas nos últimos meses.




