Afastado da presidência pelo STF, Bacellar renova licença na Alerj

RIO DE JANEIRO – O deputado estadual Rodrigo Bacellar (União Brasil), afastado do comando da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF), protocolou um novo pedido de licença de suas funções parlamentares. A solicitação, apresentada na última terça-feira (3), estende seu afastamento até o dia 11 de fevereiro, sob a justificativa de tratar de “assuntos de caráter particular”.

​Com a nova manobra, Bacellar — que não compareceu à sessão solene de abertura do ano legislativo de 2026 — deve retornar à Casa somente após o período de Carnaval. Enquanto o parlamentar permanece oficialmente licenciado do mandato, a presidência da Alerj continua sendo exercida de forma interina pelo deputado Guilherme Delaroli (PL).

​O histórico do afastamento

​O imbróglio jurídico e político de Rodrigo Bacellar teve início em 3 de dezembro de 2025, quando ele foi preso preventivamente pela Polícia Federal durante a Operação Unha e Carne. A investigação aponta que o deputado teria vazado informações sigilosas sobre uma operação policial contra o ex-deputado Thiego Raimundo dos Santos Silva, o “TH Joias”, acusado de intermediar a venda de armas para o Comando Vermelho (CV).

​A prisão foi determinada pelo ministro do STF Alexandre de Moraes, que baseou a decisão em mensagens interceptadas que sugeriam obstrução de justiça e vínculos com o crime organizado. Cinco dias após a detenção, o plenário da Alerj, em votação constitucional, decidiu pela soltura de Bacellar por 42 votos a 21. No entanto, o STF manteve o afastamento imediato de Bacellar do cargo de presidente da Assembleia e impôs medidas cautelares, incluindo o uso de tornozeleira eletrônica e a proibição de contato com outros investigados.

​Cenário político e incertezas

​A ausência prolongada de Bacellar alimenta discussões nos bastidores sobre o futuro da governabilidade no Rio de Janeiro. Em 2025, ele havia sido reeleito presidente da Casa por unanimidade, mas sua situação jurídica atual o impede de retomar o martelo.

​Atualmente, a Alerj foca em pautas como o projeto do ICMS Educacional, enquanto deputados articulam possíveis sucessões. Caso o governador Cláudio Castro (PL) renuncie para disputar as eleições de 2026, a vacância na presidência da Alerj — cargo que seria o primeiro na linha de sucessão direta — cria um hiato político que pode levar o estado a ser comandado interinamente pelo presidente do Tribunal de Justiça (TJ-RJ).

​Até o momento, a defesa de Rodrigo Bacellar nega as acusações de envolvimento com facções criminosas e sustenta que não houve vazamento de dados sigilosos por parte do parlamentar.

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