A pluma brasileira acaba de cravar seu nome na história do agronegócio mundial. O fechamento da safra 2024/2025 revelou um setor em plena expansão, superando as expectativas iniciais e consolidando o Brasil não apenas como um grande produtor, mas como o maior exportador global de algodão, ultrapassando players tradicionais como os Estados Unidos.
Os números do gigante
De acordo com os dados finais da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e da Abrapa (Associação Brasileira dos Produtores de Algodão), o ciclo encerrado em 2025 apresentou indicadores robustos:
- Produção de pluma: 4,076 milhões de toneladas (crescimento de 10%).
- Área plantada: Superou os 2 milhões de hectares, impulsionada pelos preços atrativos no mercado internacional no início do ciclo.
- Produtividade: Otimizada pelo clima favorável no Mato Grosso e na Bahia, que concentram a maior parte da produção nacional.
Qualidade da fibra: O diferencial competitivo
Não foi apenas o volume que impressionou. A safra 2025 destacou-se pela qualidade intrínseca da fibra (comprimento, resistência e micronaire). O uso intensivo de biotecnologia e o monitoramento via satélite permitiram um manejo de pragas, especialmente do bicudo-do-algodoeiro, muito mais eficiente.
Essa excelência abriu portas definitivas nos mercados asiáticos, com destaque para China, Vietnã e Paquistão, que aumentaram a demanda pelo algodão brasileiro devido à rastreabilidade e certificações de sustentabilidade (como o programa ABR).
Perspectivas para a Safra 2025/2026
Com o sucesso do último ciclo, os produtores já iniciam os preparativos para o novo plantio com cautela estratégica. Os principais pontos de atenção para 2026 são:
- Custo de produção: Embora o preço da pluma esteja estável, o monitoramento dos preços de fertilizantes e defensivos continua sendo o maior desafio para as margens de lucro.
- Logística: O escoamento da safra recorde testou a capacidade dos portos brasileiros (especialmente o de Santos), exigindo novos investimentos em infraestrutura logística.
- Clima (La Niña): Meteorologistas alertam para a possibilidade de fenômenos climáticos que podem alterar o regime de chuvas no Centro-Oeste no primeiro trimestre de 2026, exigindo atenção redobrada no calendário de semeadura.
“O Brasil provou que pode produzir com escala e sustentabilidade. O desafio agora é manter a consistência e a confiança do comprador internacional”, afirma o setor técnico da Abrapa.




