A corrida pelo Palácio Iguaçu sofreu uma reviravolta de bastidores que mexeu com as estratégias das campanhas ao governo do Paraná. A direção estadual do partido Democracia Cristã (DC), que vinha sendo presidida por Ricardo Gomyde, foi oficialmente inativada no registro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A certidão de composição, emitida na tarde de quarta-feira (15 de julho de 2026), aponta que o órgão provisório da legenda expirou em 14 de julho e consta agora sob a situação de “inativado por decisão do partido”.
A mudança ocorre em um momento crítico do calendário eleitoral, a poucos dias do início das convenções partidárias (agendadas de 20 de julho a 5 de agosto), e atinge em cheio as pretensões políticas do empresário Tony Garcia, que havia se filiado à sigla com o apoio de Gomyde para se lançar como pré-candidato ao governo estadual.
O impacto sobre a pré-candidatura de Tony Garcia
Tony Garcia vinha adotando um tom de enfrentamento direto contra o senador Sergio Moro (PL). O empresário baseava sua pré-candidatura no questionamento público da atuação de Moro durante a Operação Lava Jato, afirmando ter atuado como um “agente infiltrado” sob as ordens do ex-juiz no passado — declarações que Moro rebate, classificando-as como tentativas de vingança sem embasamento comprovado.
Do ponto de vista eleitoral, embora Garcia pontuasse discretamente nas pesquisas de intenção de voto — registrando entre 1,5% e 1,9% no último levantamento do instituto Paraná Pesquisas divulgado no início de julho —, sua presença nos debates, entrevistas e sabatinas era vista como um fator de desgaste para a campanha do senador.
Com a queda da executiva comandada por Gomyde, a estrutura partidária que dava sustentação ao projeto político de Tony Garcia fica temporariamente desfeita, deixando sua candidatura em situação de incerteza.
Comemoração entre aliados de Sergio Moro e especulação sobre nova liderança
Nos bastidores da campanha do Partido Liberal (PL), que tem Sergio Moro como líder isolado nas pesquisas de opinião — o senador pontua de 39,9% a 45,1% dos votos nos cenários testados pela Paraná Pesquisas —, o enfraquecimento de Garcia foi amplamente celebrado. Para aliados de Moro, a desarticulação do Democracia Cristã retira de cena um adversário focado unicamente em pautar o debate eleitoral a partir de ataques ao legado judicial do ex-magistrado.
A movimentação política para afastar Gomyde da legenda já vinha ocorrendo nos bastidores desde maio de 2026. Inicialmente, cogitou-se a articulação do empresário Fabio Aguayo para assumir a sigla no Paraná. No entanto, as informações mais recentes apontam que o advogado Jorge Casagrande, profissional ligado a Moro, é o nome mais cotado para assumir o comando do diretório estadual.
Os próximos passos do Democracia Cristã no Paraná
Embora a inativação da comissão estadual enfraqueça o grupo político atual, ela não cancela de forma automática a participação do Democracia Cristã nas eleições. A sigla ainda poderá registrar um novo órgão provisório, submeter as decisões à direção nacional ou definir um novo colegiado para coordenar a convenção no estado.
A definição sobre quem assumirá a nova direção nos próximos dias será determinante para esclarecer se o partido será incorporado à base de apoio de Sergio Moro ou se ainda haverá espaço para a manutenção de candidaturas independentes no estado.
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