Economia

Alta agora e queda depois: o que esperar do petróleo com crise na Venezuela

A operação militar dos Estados Unidos que resultou na captura de Nicolás Maduro no último sábado (3) sacudiu a geopolítica global, mas o impacto no mercado de energia segue um roteiro de incerteza inicial seguido por projeções de estabilidade.

​O mercado internacional de petróleo iniciou o ano de 2026 sob extrema tensão. Após o anúncio da prisão de Nicolás Maduro pelo governo de Donald Trump, os preços da commodity apresentaram oscilações moderadas nas primeiras operações de janeiro. Embora a Venezuela detenha as maiores reservas provadas do mundo, sua produção atual — estimada em cerca de 900 mil barris por dia — representa menos de 1% da oferta global, o que limita um choque imediato de preços.

​Incerteza logística e prêmio de risco

​No curto prazo, analistas apontam que o principal fator de pressão não é a falta do produto, mas a logística. A imposição de um “bloqueio total” a navios-tanque sancionados e o aumento do custo de fretes e seguros para embarcações que transitam próximo ao Caribe geram um “prêmio de risco geopolítico”.

  • Custos Logísticos: O temor de interrupções nas rotas marítimas pode elevar o custo do petróleo tipo Brent (referência global) temporariamente.
  • Refinarias dos EUA: Plantas no Texas e na Louisiana, que são tecnicamente configuradas para processar o óleo pesado venezuelano, observam atentamente a disponibilidade do insumo.

​O “Dia Seguinte”: Projeções de queda

​A médio e longo prazo, o cenário desenhado pelo Goldman Sachs e outros grandes bancos de investimento é de viés de baixa para os preços. A lógica é que a queda do regime de Maduro e uma eventual administração supervisionada pelos EUA possam abrir caminho para o retorno das gigantes americanas, como Chevron, ExxonMobil e ConocoPhillips.

​”A reabertura da Venezuela para petroleiras ocidentais e a remoção das sanções tendem a comprimir o prêmio geopolítico, trazendo maior estabilidade para as cadeias energéticas alinhadas aos EUA”, avaliam analistas do setor.

​Obstáculos para a retomada

​Apesar do otimismo de Trump, que afirmou que o país será “reembolsado” pelos custos da operação através do petróleo, a recuperação da infraestrutura da PDVSA (estatal venezuelana) é um desafio monumental:

  1. Sucateamento: Anos de subinvestimento e corrupção deixaram refinarias e poços em estado crítico.
  2. Investimento Massivo: Estima-se que serão necessários dezenas de bilhões de dólares e ao menos uma década para que a Venezuela retorne ao seu pico produtivo de 3,5 milhões de barris/dia.
  3. Excesso de Oferta Global: O mercado mundial já projeta um superávit para 2026 devido à forte produção dos EUA e de países fora da OPEP+, o que deve conter qualquer alta desenfreada.

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