Denuncia

APÓS denúncia na COP30, pastor é punido na Assembleia de Deus

O que começou como um protesto isolado contra o uso de espaços religiosos para fins seculares culminou em uma das maiores crises institucionais recentes da Assembleia de Deus no Pará. O pastor Marcelo Campelo, dirigente da congregação da Doca, em Belém, foi oficialmente destituído de seu cargo pelo pastor Samuel Câmara, presidente da denominação e da Convenção das Assembleias de Deus no Brasil (CADB).
A punição ocorre após Campelo tornar-se uma voz pública de resistência contra o aluguel do Centro de Convenções Centenário, pertencente à igreja, para a realização da COP30 (Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas). A denúncia feita pelo pastor, que viralizou nas redes sociais durante o evento, apontava o que ele chamou de “profanação” do templo, citando o consumo de bebidas alcoólicas e a realização de eventos “pagãos” no local consagrado.
O racha ministerial
A decisão de afastar Campelo foi comunicada pessoalmente por Samuel Câmara em um culto marcado por forte tensão e protestos. Enquanto a liderança oficial alega que a saída foi consensual e parte de um ciclo ministerial que se encerrava, Marcelo Campelo rebateu publicamente as afirmações, classificando a medida como uma represália política e uma “ditadura” interna.

“Estou sendo tirado porque me posicionei como pastor defendendo a minha igreja. Não é por erro moral ou financeiro, é por ter denunciado o que aconteceu naquele espaço”, afirmou Campelo a fiéis que protestavam do lado de fora do templo.

Contexto e Novas Atualizações
O conflito expõe um racha profundo na Assembleia de Deus em relação à gestão de Samuel Câmara. Informações recentes indicam que o aluguel do espaço para o Governo do Pará e para a ONU teria rendido cerca de R$ 2 milhões aos cofres da instituição, valor que gerou questionamentos entre os membros sobre a transparência no uso dos dízimos e ofertas para a manutenção do centro de convenções.
Além da questão religiosa, a polêmica ganhou contornos políticos. Críticos à gestão de Câmara apontam que a proximidade com o governo estadual para viabilizar a estrutura da COP30 feriu princípios de autonomia da igreja. Por outro lado, aliados do presidente defendem que o evento foi uma oportunidade estratégica para a capital paraense e que o contrato seguiu trâmites legais.
Até o momento, a cúpula da Assembleia de Deus em Belém mantém o discurso de que a substituição de Campelo visa a “pacificação do rebanho”, mas o clima entre os fiéis permanece de divisão, com convocações para novos protestos em frente à sede da igreja nos próximos dias.

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