Agro

As previsões do agronegócio para o setor e o governo Lula

​O agronegócio brasileiro chega ao horizonte de 2026 como o principal fiador da estabilidade econômica do país, mas sob um manto de cautela. Após um 2025 marcado por recordes de faturamento e uma contribuição decisiva para o Produto Interno Bruto (PIB) — que deve fechar o ano anterior com um salto setorial próximo a 9,6% —, o setor agora lida com o desafio de sustentar o crescimento diante de um cenário de maior aperto financeiro e incertezas políticas.

​No centro da agenda entre o setor produtivo e o Palácio do Planalto está o Plano Safra 2025/2026. Com um aporte histórico de R$ 516,2 bilhões anunciado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e pelo ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, o governo tenta mitigar as críticas da bancada ruralista e consolidar uma relação de “entrega técnica”. Do total de recursos, R$ 415 bilhões são voltados ao custeio e comercialização, enquanto R$ 102 bilhões focam em investimentos, um salto de 51% em relação ao ciclo anterior.

​Os gargalos no radar do produtor

​Apesar do volume recorde de recursos, o otimismo é moderado por fatores estruturais e macroeconômicos:

  • Inadimplência recorde: Dados recentes da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) acendem o sinal amarelo. A inadimplência no crédito rural com taxas de mercado atingiu 11,4% no final de 2025, o maior nível em mais de uma década. Em janeiro de 2023, esse índice era de apenas 0,59%, refletindo o impacto dos juros elevados e da queda nos preços das commodities em momentos específicos do ciclo.
  • Riscos climáticos e safra 2026: O IBGE projeta uma retração de 3,7% na safra de 2026 em comparação ao ano anterior, puxada especialmente pela queda na produção de milho e arroz. Estados como Mato Grosso e Mato Grosso do Sul devem registrar quedas acentuadas, enquanto o Sul do país projeta recuperação.
  • Transição ecológica: O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, tem reforçado que o acesso a créditos mais baratos no futuro estará intrinsecamente ligado a metas de sustentabilidade, como o Plano de Transformação Ecológica e a recuperação de pastagens degradadas através do programa EcoInvest.

​O fator 2026: Política e economia

​Para o governo Lula, o agronegócio é a ferramenta essencial para controlar a inflação de alimentos no ano eleitoral de 2026. A estratégia da Fazenda é utilizar a “supersafra” para garantir deflação no setor de proteínas e grãos, tentando converter o sucesso econômico em capital político.

​Por outro lado, lideranças do setor, como o deputado Pedro Lupion (presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária), mantêm uma postura de vigilância. As críticas principais giram em torno da insegurança jurídica no campo e da resistência ideológica de alas do governo. Para 2026, o agro não espera apenas crédito, mas “previsibilidade e confiança” — termos que se tornaram mantras entre os produtores que temem novos aumentos de carga tributária e instabilidade nas exportações para mercados como China e União Europeia.

​Com o PIB do agronegócio estimado em R$ 3,13 trilhões, o setor entra em 2026 ciente de que é o motor do Brasil, mas exigindo que o governo não apenas disponibilize recursos, mas resolva os nós logísticos e tributários que ainda freiam a competitividade no campo.

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