A divulgação de áudios atribuídos a funcionários comissionados com influência na Sanepar (Companhia de Saneamento do Paraná) instalou um novo foco de instabilidade no Palácio Iguaçu. O material, que circulou intensamente nos bastidores políticos nesta terça-feira (23 de dezembro de 2025), sugere a existência de um suposto esquema de corrupção envolvendo a estatal, pressionando diretamente a gestão do governador Ratinho Júnior (PSD).
O centro da polêmica
Os áudios revelam diálogos sobre a manipulação de processos internos e possível favorecimento em contratos. Embora a veracidade e o contexto total das gravações ainda dependam de perícia técnica, o conteúdo foi suficiente para que a oposição e setores da sociedade civil passassem a exigir transparência imediata.
O escândalo surge em um momento delicado, somando-se a outros episódios recentes que colocaram a companhia sob os holofotes:
- Investigações de Desvios: Recentemente, em novembro de 2025, uma operação policial prendeu nove pessoas envolvidas em um esquema que desviava faturas pagas em duplicidade, liderado por um funcionário terceirizado.
- Histórico de Operações: O Gaeco e o Ministério Público já vinham monitorando a estatal em ações como a Operação Ductos e a Operação Águas Claras, que investigaram fraudes em licitações e pagamento de propinas em anos anteriores.
Desdobramentos políticos
A crise na Sanepar não é apenas administrativa, mas eleitoral. Com o cenário para 2026 começando a se desenhar, o racha na base governista se acentuou.
- Impacto no Governo: O governador Ratinho Júnior enfrenta o desafio de blindar sua imagem enquanto a oposição utiliza o episódio para questionar a governança das estatais paranaenses.
- Pressão na Assembleia: Espera-se que deputados da oposição protocolem pedidos de esclarecimento e, eventualmente, a abertura de uma CPI para investigar os áudios e os contratos mencionados.
- Posicionamento da Sanepar: Em notas anteriores sobre casos correlatos, a companhia tem reforçado que possui mecanismos de compliance e que colabora com as autoridades, mas o silêncio sobre este novo vazamento específico alimenta as especulações.
O que dizem os envolvidos
Até o fechamento desta matéria, o governo do Estado e a diretoria da Sanepar mantêm cautela, tratando os áudios como “material sob análise”. Juristas alertam que qualquer avanço institucional dependerá do respeito ao contraditório e da autenticação das provas.







