Brasília — A corrida presidencial ganhou uma nova dinâmica com a divulgação da 12ª rodada da pesquisa BTG/Nexus nesta segunda-feira (31). O médico psiquiatra e escritor Augusto Cury, candidato à Presidência pelo Avante, registrou um avanço expressivo ao saltar de 2% para 11% das intenções de voto no cenário estimulado. O movimento o consolidou como o primeiro nome alternativo a alcançar dois dígitos na disputa.
O salto de Cury ocorre logo após a semana de sabatinas em rede nacional e a estreia do horário eleitoral gratuito. No último sábado (29), o escritor encerrou a série de entrevistas da TV Globo com os presidenciáveis, momento em que defendeu pautas voltadas à saúde mental, educação e a busca por um caminho fora da polarização.
Impacto na liderança e recortes do eleitorado
O crescimento de Augusto Cury pressionou os dois principais colocados na disputa. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) oscilou de 41% para 39%, enquanto o senador Flávio Bolsonaro (PL) recuou de 37% para 33%. Demais nomes da chamada terceira via, como Ronaldo Caiado (PSD, com 5%) e Renan Santos (Missão, com 3%), mantiveram seus patamares. Na pesquisa espontânea, quando os nomes não são apresentados aos entrevistados, Cury passou de 1% para 8%.
O levantamento revela que a ascensão de Cury é puxada especialmente pelo público jovem e por eleitores de maior escolaridade e renda:
- Por faixa etária: Cury atinge 22% das intenções de voto entre eleitores de 16 a 24 anos e 16% na faixa de 25 a 40 anos.
- Por escolaridade: O candidato chega a 17% entre eleitores com ensino superior completo.
- Por aprovação do governo: Entre os eleitores que desaprovam a gestão atual, Cury alcança 17%, posicionando-se como a segunda opção atrás de Flávio Bolsonaro (62%).
Desafios de consolidação
Apesar do avanço representativo, analistas apontam que o eleitorado do candidato do Avante apresenta menor índice de consolidação. Segundo o levantamento, 59% dos seus eleitores afirmam que a decisão de voto é definitiva, enquanto 39% admitem a possibilidade de mudar de candidato até o dia da eleição. Para efeito de comparação, a fidelidade dos eleitores de Lula e Flávio Bolsonaro atinge 85%.
Em um eventual segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro, a pesquisa mostra estabilidade no confronto direto (46% a 45%, em empate técnico). Numa simulação de afunilamento, 46% dos eleitores de Cury indicam preferência por Flávio Bolsonaro, 23% migram para Lula e 29% optam por voto branco ou nulo.
A pesquisa BTG/Nexus ouviu 2.005 eleitores por telefone entre os dias 28 e 30 de agosto. O levantamento tem margem de erro de 2 pontos percentuais e está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-08900/2026.
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