Meio Ambiente

Brasil lidera discussões na COP30 e enfrenta recordes de eventos extremos em 2025

O ano de 2025 consolidou o Brasil como o epicentro da diplomacia ambiental, mas também como uma das nações mais vulneráveis à crise climática. Entre o protagonismo na COP30, realizada em Belém (PA), e o enfrentamento de desastres naturais sem precedentes, o país encerra o ciclo anual sob pressão para transformar promessas em ações resilientes antes que o calendário eleitoral de 2026 tome conta do debate público.

COP30: O “Pacote de Belém” e o dilema dos combustíveis fósseis

A Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30) terminou com um saldo misto. Embora tenha sido celebrada por trazer as negociações para o coração da Amazônia, o documento final — apelidado de Pacote de Belém — foi recebido com cautela por especialistas.

  • Avanços históricos: A criação do Mecanismo de Ação de Belém (BAM) para uma transição justa e o lançamento do fundo “Florestas Tropicais para Sempre” (TFFF), que já mobilizou cerca de US$ 6,7 bilhões, foram os pontos altos. Pela primeira vez, os direitos indígenas foram explicitamente reconhecidos como estratégia central de proteção climática.
  • Frustrações: O acordo falhou em estabelecer um cronograma claro (o chamado “mapa do caminho”) para a eliminação gradual dos combustíveis fósseis e para zerar o desmatamento global, pontos que enfrentaram forte resistência de grandes potências e países produtores de petróleo.

Um ano marcado pelo “novo normal” de extremos

Enquanto diplomatas discutiam metas em salas climatizadas, o território brasileiro sofria com a fúria do clima. 2025 foi marcado por uma sucessão de eventos que especialistas classificam como o “novo normal”:

  1. Calor e Seca: O Brasil registrou ondas de calor sucessivas, com termômetros batendo 40°C em capitais como São Paulo e Rio de Janeiro. A estiagem prolongada na Amazônia e no Pantanal reduziu a superfície de água do país em 400 mil hectares, comprometendo a navegabilidade e o abastecimento de comunidades isoladas.
  2. Tragédias no Sul e Sudeste: O Rio Grande do Sul, ainda em reconstrução após as inundações históricas, enfrentou novos episódios de ciclones e tornados. No Sudeste, chuvas concentradas provocaram deslizamentos em áreas urbanas, evidenciando o deficit de infraestrutura de drenagem.
  3. Saúde Pública: O aumento das temperaturas impulsionou surtos recordes de arboviroses (dengue, zika e chikungunya), enquanto a baixa umidade elevou os casos de doenças respiratórias em quase todo o território nacional.

O que esperar de 2026: Eleições e transição energética

Com a virada do ano, a agenda ambiental brasileira entra em uma fase crítica de implementação. Três eixos devem dominar o cenário em 2026:

  • Implementação da Adaptação: O governo federal e estados correm contra o tempo para aplicar os novos Indicadores de Adaptação de Belém, buscando financiamento internacional para obras de resiliência em encostas e contenção de cheias.
  • Aceleração Energética: O setor de energia deve focar na regulamentação do “Combustível do Futuro”, com destaque para o diesel verde e o combustível sustentável de aviação (SAF).
  • O fator eleitoral: As eleições de 2026 devem colocar o clima no centro do debate político. Candidatos serão cobrados não apenas por planos de conservação, mas por soluções econômicas que integrem a descarbonização ao crescimento do PIB e à segurança alimentar, afetada pela quebra de safras devido ao clima.

“A COP30 jogou luz sobre a sabedoria da Amazônia, mas o mundo saiu de Belém sabendo que, embora tenhamos avançado, a ambição ainda é insuficiente para garantir um futuro seguro”, afirmam analistas do setor.

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