Brasil monitora anúncio de Trump sobre tarifas a parceiros do Irã e avalia riscos para o agronegócio

O governo brasileiro e o setor exportador entraram em estado de alerta nesta terça-feira (13) após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciar a imposição de uma tarifa de 25% sobre qualquer país que realize transações comerciais com a República Islâmica do Irã. O anúncio, feito via rede social Truth Social, afirma que a medida tem “efeito imediato” e é “final e conclusiva”, gerando incertezas sobre o impacto direto nas exportações brasileiras, especialmente no setor de commodities.

​O Itamaraty e o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) aguardam a publicação oficial do decreto para analisar os detalhes técnicos. A principal dúvida reside na abrangência da norma: se ela punirá retroativamente países com relações históricas ou se focará apenas em novos contratos.

​O peso do comércio com o Irã

​Embora o Irã não figure entre os 20 maiores parceiros comerciais do Brasil, o país persa é um destino estratégico para o agronegócio nacional. Em 2025, o Brasil exportou cerca de US$ 2,9 bilhões (aproximadamente R$ 15 bilhões) para Teerã. O fluxo comercial é liderado por:

  • Milho: Representa cerca de 67,9% das vendas;
  • Soja: Aproximadamente 19,3%;
  • Açúcar e carnes: Também compõem a pauta de exportações.

​No sentido oposto, as importações brasileiras do Irã somaram US$ 84,5 milhões no último ano, concentradas em ureia (fertilizante essencial para o plantio nacional), além de frutas secas e castanhas.

​Tensões comerciais recorrentes

​A nova ameaça de Trump ocorre em um contexto de “guerra tarifária” que já vinha tensionando a relação entre Brasília e Washington. Em meados de 2025, o governo americano chegou a impor tarifas de 50% sobre diversos produtos brasileiros, medida que foi parcialmente flexibilizada em novembro para itens como carne bovina e café.

​Agora, o Brasil se vê em uma encruzilhada diplomática. O país integra o BRICS ao lado do Irã e defende historicamente a autonomia comercial, mas os Estados Unidos continuam sendo um dos seus maiores parceiros econômicos. Analistas de mercado apontam que, caso a tarifa de 25% seja aplicada de forma ampla a todos os produtos que o Brasil envia aos EUA como retaliação pelo comércio com o Irã, o impacto pode causar um déficit comercial severo e pressionar a inflação interna.

​Reação do governo

​Até o momento, a gestão federal mantém cautela. O vice-presidente Geraldo Alckmin tem reforçado a importância do diálogo técnico, enquanto o governo Lula não descarta o uso da Lei da Reciprocidade Econômica, sancionada em 2025, que permite ao Brasil responder a sobretaxas unilaterais com medidas equivalentes sobre produtos importados dos Estados Unidos.

​O mercado aguarda a reunião da Casa Branca prevista para esta terça-feira, que deve selar o detalhamento da ordem executiva e definir o futuro das trocas comerciais globais envolvendo o regime iraniano.

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