Em um movimento que redefine o tabuleiro político da centro-direita brasileira, o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, oficializou nesta terça-feira (27) sua saída do União Brasil para se filiar ao PSD (Partido Social Democrático). O anúncio, realizado ao lado dos governadores Ratinho Junior (Paraná) e Eduardo Leite (Rio Grande do Sul), coloca a legenda comandada por Gilberto Kassab no centro da disputa presidencial de 2026, agora com três nomes de peso no Executivo estadual pleiteando o Palácio do Planalto.
A mudança de Caiado ocorre após meses de desgaste interno no União Brasil. O governador goiano buscava garantias de que seria o nome oficial da sigla para a sucessão de Luiz Inácio Lula da Silva, mas enfrentava resistências da cúpula do partido e os impasses gerados pela federação com o Progressistas (PP). Ao migrar para o PSD, Caiado declarou que o gesto é de “total desprendimento” e que o grupo trabalhará unido: “O que sair daqui candidato terá o apoio dos demais”, afirmou.
O novo polo da direita
Diferente do bolsonarismo mais radical, o grupo formado por Caiado, Ratinho Junior e Leite tenta se posicionar como uma alternativa de “direita executiva” e gestão eficiente. Enquanto Ratinho Junior ostenta altos índices de aprovação no Paraná (superando os 80% em pesquisas recentes) e Eduardo Leite busca retomar o protagonismo nacional após a reconstrução do Rio Grande do Sul, Caiado traz o discurso da segurança pública e o apoio do setor agropecuário.
A estratégia defendida por Caiado, no entanto, é a de pulverização. Para ele, ter múltiplas candidaturas de direita no primeiro turno é a melhor forma de enfrentar a máquina do governo federal e evitar uma vitória petista antecipada. “Não é inteligente todo mundo estar somado num primeiro turno; é bom que tenha vários candidatos para engrossar o debate”, reiterou em declarações recentes.
Desafios internos e concorrência
Apesar da união demonstrada no vídeo de filiação, o PSD terá o desafio de administrar as ambições de seus líderes.
- Ronaldo Caiado: Já lançou pré-candidatura oficial e afirma que “irá até o fim”, mesmo com a entrada de nomes como Flávio Bolsonaro (PL) no cenário.
- Ratinho Junior: Embora apareça com crescimento consistente nas pesquisas, o governador paranaense ainda avalia se deve concluir o mandato no estado ou arriscar a projeção nacional, visando também uma possível cadeira no Senado.
- Eduardo Leite: Representa a ala mais moderada do partido e tenta viabilizar um projeto que fure a polarização entre o lulismo e o bolsonarismo.
Com a filiação de Caiado, o PSD se torna a sigla com o maior número de governadores presidenciáveis, isolando-se como uma força que o ex-presidente Jair Bolsonaro — hoje inelegível, mas articulador da candidatura do filho Flávio — e o presidente Lula não poderão ignorar nos próximos meses de articulação política.




