Câmara suspende deputado Glauber Braga por seis meses; pena de cassação é trocada em reviravolta no plenário

O deputado federal Glauber Braga (Psol-RJ) escapou da cassação de seu mandato na noite de ontem, quarta-feira (10), após o plenário da Câmara dos Deputados aprovar a substituição da pena máxima por uma suspensão de seis meses. A decisão, considerada uma “vitória coletiva” pelo parlamentar, encerra um tenso processo de quebra de decoro que vinha se arrastando na Casa.

​A suspensão foi aprovada por 318 votos a favor, 141 contra e três abstenções. A votação só ocorreu após uma articulação da esquerda, que conseguiu aprovar, por uma margem apertada de 226 votos a 220, um requerimento para analisar a pena mais branda de suspensão antes da cassação, que exigiria 257 votos para ser confirmada.

​O Caso de Quebra de Decoro

​A representação contra Glauber Braga foi apresentada pelo partido Novo e motivada por um incidente ocorrido em abril de 2024, quando o deputado expulsou, com empurrões e chutes, o ativista Gabriel Costenaro, integrante do Movimento Brasil Livre (MBL), das dependências da Câmara. Em sua defesa, o deputado do PSOL alegou ter agido em reação a ofensas proferidas por Costenaro contra sua mãe, que sofria com Alzheimer avançado.

​Em discurso no plenário, Braga manteve a defesa de sua conduta, afirmando que o processo de cassação era, na verdade, uma perseguição política motivada por suas frequentes denúncias contra o orçamento secreto, à época defendido pela antiga gestão da Câmara.

​Reviravolta e Articulação Política

​A votação foi marcada por intensa mobilização e reviravolta. Até a manhã de quarta-feira, a cassação de Glauber era dada como provável. No entanto, o cenário mudou após uma forte articulação da bancada do Psol, com o apoio de deputados de partidos de esquerda e o engajamento de alas moderadas do Centrão, que se preocuparam com o precedente que uma cassação por um motivo como este poderia abrir.

​A tensão atingiu o ápice na véspera da votação, quando Glauber Braga ocupou a cadeira da Presidência da Câmara, em protesto contra a pauta. Ele foi retirado à força pela Polícia Legislativa, em um ato que gerou tumulto, levou ao corte do sinal da TV Câmara e gerou críticas de associações de imprensa.

​Com a suspensão, Glauber Braga ficará afastado do cargo por seis meses, mas não perderá seus direitos políticos, o que teria ocorrido em caso de cassação. Durante o período de afastamento, a suplente que assumirá sua vaga é a ex-senadora Heloísa Helena.

​O desfecho do caso de Braga ocorreu no mesmo dia em que a Câmara avançava no processo que pode levar à cassação do mandato da deputada Carla Zambelli (PL-SP), presa na Itália desde julho.

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