Caminhada de Nikolas Ferreira melou possível ida de Bolsonaro para casa


O que deveria ser um ato de apoio e pressão popular pela liberdade do ex-presidente Jair Bolsonaro acabou se tornando o principal entrave para a sua transferência para a prisão domiciliar. A caminhada de 240 quilômetros iniciada pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), que partiu de Minas Gerais com destino a Brasília, gerou um efeito reverso no Supremo Tribunal Federal (STF), paralisando negociações que vinham sendo conduzidas de forma discreta por aliados moderados.
De acordo com bastidores de Brasília, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, vinham estabelecendo um canal de diálogo com ministros da Corte para tentar converter a prisão preventiva ou as condições de detenção de Bolsonaro em regime domiciliar. No entanto, a mobilização liderada por Nikolas — batizada por críticos de “Marcha da Vergonha” e por apoiadores de “Caminhada da Liberdade” — foi interpretada por integrantes do STF como uma tentativa direta de “acuamento” e chantagem pública.
Para magistrados do Supremo, autorizar a ida de Bolsonaro para casa neste momento daria a Nikolas Ferreira o trunfo político de que sua pressão nas ruas dobrou o Judiciário. “Com aliados desse nível, Bolsonaro não precisa de inimigos”, teria ironizado um ministro da Corte, reforçando que a lógica de enfrentamento adotada pela ala mais ideológica do PL inviabiliza qualquer gesto de moderação por parte do tribunal.
Adesão de Carlos Bolsonaro e repercussão
A caminhada ganhou novos contornos nesta terça-feira (20), quando o vereador Carlos Bolsonaro (PL-RJ) se juntou ao grupo na BR-040. Em registros publicados nas redes sociais, Nikolas incentivou o filho do ex-presidente: “Estamos juntos, cara. Pelo teu pai, pelos presos do 8 de Janeiro e por esse país”. Outros parlamentares, como Gustavo Gayer (PL-GO) e André Fernandes (PL-CE), também integram o movimento, que tem chegada prevista à capital federal para o próximo domingo (25).
Enquanto o grupo avança a pé, o cenário jurídico para o ex-presidente, que cumpre pena no 19º Batalhão da Polícia Militar (a “Papudinha”), torna-se mais rígido. A retomada das críticas contundentes ao STF e a exposição mediática do protesto fecharam portas que estavam sendo abertas pela ala política do bolsonarismo, deixando Bolsonaro no centro de uma disputa de estratégias entre a militância digital e os articuladores políticos.

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