Considerada um patrimônio genético vivo, a raça de porcos Caruncho Três Cores reafirma sua importância histórica e econômica como o núcleo mais antigo da suinocultura no Brasil. Originária do período colonial, essa linhagem — caracterizada pela pelagem preta, branca e avermelhada — deixou de ser apenas uma curiosidade do campo para se tornar o foco de intensos esforços de preservação liderados pela Embrapa Suínos e Aves e associações de criadores conservacionistas.
O resgate de um ícone genético
Diferente das raças industriais altamente selecionadas para carne magra, o Caruncho Três Cores é valorizado pela sua rusticidade e capacidade de produzir gordura de alta qualidade, essencial para a charcutaria artesanal.
Recentemente, o interesse por essa raça cresceu devido ao movimento da gastronomia de origem. Chefs e produtores locais buscam no Caruncho um diferencial sensorial que as linhagens modernas não oferecem. No entanto, a raça ainda é classificada como “em perigo”, com poucos núcleos de criação pura remanescentes no país, localizados principalmente em regiões de Minas Gerais e do Sul do Brasil.
Por que ele é tão valioso?
- Adaptação climática: Extremamente resistente a doenças e variações de temperatura comuns no Brasil.
- Qualidade da gordura: Perfeito para a produção de banha e embutidos curados de alto valor agregado.
- Sustentabilidade: Ideal para sistemas de criação ao ar livre e agricultura familiar, exigindo menos insumos químicos que porcos industriais.
Desafios e o futuro da raça
O maior obstáculo atual é a consanguinidade. Com poucos exemplares disponíveis, manter a variabilidade genética é um desafio técnico. A Embrapa tem trabalhado no mapeamento do DNA desses animais para garantir que os cruzamentos preservem as características originais sem degeneração da linhagem.
Além disso, novas diretrizes de bem-estar animal e a busca por sistemas de produção mais resilientes às mudanças climáticas colocam o Caruncho Três Cores no centro da discussão sobre a segurança alimentar e a preservação da biodiversidade doméstica brasileira.
”Preservar o Caruncho Três Cores não é apenas manter uma tradição, é garantir que o Brasil tenha um banco genético capaz de responder a desafios sanitários futuros”, afirmam especialistas do setor.



