A Polícia Civil de Roraima indiciou formalmente o casal de pastores evangélicos Wenderson Lima de Souza e Arielly Kamila Moraes de Souza sob a acusação de estuprar e abusar sexualmente de ao menos seis adolescentes, com idades entre 12 e 17 anos. O inquérito foi concluído pela Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA) e encaminhado ao Tribunal de Justiça, acompanhado de um pedido de prisão preventiva dos investigados.
De acordo com as investigações, os crimes ocorriam em uma igreja localizada no bairro de Cinturão Verde, em Boa Vista. A polícia detalhou que o casal se aproveitava da autoridade religiosa e do cargo eclesiástico para conquistar a confiança das vítimas e de suas famílias. A manipulação psicológica e religiosa era tamanha que as jovens eram induzidas ao silêncio. Esse receio era reforçado pelas normas internas da própria congregação, que previam o desligamento de membros que promovessem dissidências ou questionassem a liderança.
Wenderson Lima de Souza foi indiciado por estupro de vulnerável e outros seis crimes conexos. Já Arielly Kamila responde por estupro de vulnerável, importunação sexual e fraude processual.
Tentativa de ocultação de provas
A investigação policial também expôs uma tentativa de ocultação de provas. Uma jovem de 20 anos foi indiciada por fraude processual e corrupção de menores após ajudar a destruir dados contidos no telefone celular de Wenderson. Para camuflar o sumiço do aparelho, o pastor teria orientado uma das vítimas a registrar um boletim de ocorrência falso alegando a perda do dispositivo.
Após as denúncias, a igreja onde os suspeitos atuavam encerrou suas atividades e desativou as redes sociais. A delegada responsável pelo caso, Kamila de Souza, frisou que nenhum ambiente ou posição de liderança religiosa está acima da lei e que novos inquéritos complementares poderão ser instaurados caso surjam novas vítimas.
A defesa de Wenderson e Arielly informou que os clientes alegam inocência, ressaltando que aguarda o acesso formal ao relatório final das investigações para se manifestar detalhadamente sobre o caso. O processo segue sob segredo de Justiça.
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